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Correio da Manhã

Boa Vida
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Chocolate para todos os gostos

Visitámos algumas chocolatarias, à procura de sabores que identificam cada casa. as combinações e os paladares são variados.
Edgardo Pacheco e Nelson Rodrigues 27 de Março de 2019 às 20:31
Chocolate
Chocolate FOTO: Direitos Reservados
Autora de um livro fundamental sobre a história do café em Portugal (ver páginas seguintes), Fátima Moura tem uma tese muito curiosa sobre a relação dos portugueses com o chocolate.

A saber, em sua opinião nós não temos grande exigência com o universo do cacau porque, ao contrário do que aconteceu em França, Bélgica ou Itália, as nossas elites, mais pobres e pouco cosmopolitas, nunca cultivaram o hábito de beber cacau quente ou comer chocolate.

É bem possível que tenha razão, mas, seja como for, nos últimos anos, e com o crescimento do turismo no País, nasceram em Lisboa e no Porto várias chocolatarias de autor, com muita imaginação no que diz respeito às combinações de sabores ou à apresentação dos bombons.

Tais mestres chocolateiros não têm medo de arriscar em misturar cacau com wasabi, caril ou pimentas com diferentes intensidades de picantes.

Neste matéria, abençoada vaga de turistas que invadiu o País (mas só nesta matéria).

Boa ocasião para provarmos diferentes perfis de Vinho do Porto
Portugal poderá não ser uma referência internacional em matéria de chocolates, mas é cá, no Douro, que nasce um dos vinhos doces que consegue fazer uma ligação perfeita com o mundo do cacau: o vinho do Porto.

Claro que quando um vinho se apresenta com 12 categorias, escolher aquele que melhor ligará com chocolate não será tarefa fácil. Contudo, acreditamos que os tawnies serão, genericamente, as melhores soluções.

E isto porque, sendo doces, chegam-nos com uma complexidade de aromas e sabores fornecidos pelo tempo, pelas velhos cascos e arte humana na altura de fazer o lote e o vinho com um perfil vincado a cada firma.

O ideal será escolhermos um Porto 20 anos, mas se estivermos com as finanças folgadas, um 30 anos é vinho perfeito. Mas se o caso for inverso, alguns Portos 10 anos também dão conta do recado. E nem tem de beber o vinho todo a correr, porque um tawny aguenta-se bem no tempo.

Chocolate com vinho do Porto
Todos os artigos da Arcádia são de criação própria e confecionados da forma tradicional. Pertencente à família Bastos desde 1933, a casa é conhecida pelos bombons. Os diferentes locais de venda - visitámos o localizado na rua do Almada, no Porto - oferecem uma oferta variada: o mais conhecido e pedido é o bombom de vinho do Porto. Caixa com dois a 2,40 euros.

Com frutos secos e com recheio
Na bonitos bombonaria há mais de quarenta variedades de bombons: lisos, com recheio ou frutos secos. O último bombom criado ainda não tem um nome definitivo mas é composto com Licor 43 e já faz sucesso na loja, localizada na rua Afonso Lopes Vieira, na zona do Foco, no Porto. É um dos espaços mais conhecidos na cidade Invicta. O quilo custa 60 euros.

Uma ganache com whisky
Quando surgiu na rua de São Bento, Lisboa, a Denegro causou ruído porque o País não estava nem habituado a tanta criatividade nem à apresentação de bombons como se fossem peças de relojoaria. Aqui tanto encontramos chocolate combinado com wasabi, como apreciamos em modo de chupa-chupa uma ganache com whisky (3 €). Ideias não faltam.

Criações com terroir
ESta chocolataria que também oferece cafés de altíssima qualidade (e torrados no próprio espaço) foi e é muito importante na educação dos lisboetas em matéria de cacau. Por regra trabalham o cacau de São Tomé, mas, na ausência deste, fazem criações com cacau da Bolívia. Esta barra, por exemplo, tem no seu interior frutos secos variados. Custa 7,5 euros.

A imagem também conta
A chocolataria tem o nome de um país que representa um dos mais importantes terroir de cacau do Mundo, mas são as produções de São Tomé que lhe dão muita fama. Quer pela variedade de chocolates em si, quer pelo design das embalagens das suas tabletes. Neste caso - e pela curiosidade - sugerimos um chocolate com Vinho Madeira. A 10 euros.

A calçada colorida
Como é preciso puxar pela imaginação, os responsáveis da Calçada do Cacau lembraram-se de criar bombons em forma dos cubos da famosa calçada portuguesa - coisa que introduz um efeito visual bonito. E como estão atentos às tendências, criaram uma coleção de chocolates para vegans (de morango ou manteiga de cacau). Cada ‘pedra’ custa 1,5 euros.

Chocolate de leite
Fundada em 1913, a chocolataria belga Leonidas está espalhada por todo Mundo (só em Lisboa existem três lojas). Numa delas ouvimos dizer que o primeiro bombom de chocolate de leite nasceu com esta marca. Donde, para aqueles que não apreciam chocolates com muita percentagem de cacau, cá está uma solução. Aqui com pasta de avelã (0,75 euros).

Leitura obrigatória
Fátima Moura tem assinado livros fundamentais sobre produtos para os quais Portugal tem contributos relevantes. É o caso deste ‘Do Cacau ao Chocolate’, com edição dos CTT.

Por aqui passa a história do cacau e, em particular, o papel da monarquia portuguesa na exportação das primeiras plantas do Brasil para São Tomé e Príncipe.

Questões sobre a história, a produção, a transformação e a infinita criatividade preenchem cerca de 300 páginas. Um belo livro para todos os maluquinhos por chocolate.
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