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Correio da Manhã

Boa Vida
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Leiria à conquista da Europa

Está em marcha a candidatura a capital europeia da cultura da terra onde Eça de Queiroz tem uma rota histórica.
Isabel Jordão 6 de Fevereiro de 2019 às 20:04
Leiria tem em marcha candidatura europeia
Praça Rodrigues Lobo
Jardim da Vala Real
Livraria Arquivo
Skate Parque
Leiria tem em marcha candidatura europeia
Praça Rodrigues Lobo
Jardim da Vala Real
Livraria Arquivo
Skate Parque
Leiria tem em marcha candidatura europeia
Praça Rodrigues Lobo
Jardim da Vala Real
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A riqueza cultural de toda a região é o ponto de partida da candidatura de Leiria a Capital Europeia da Cultura em 2027. A ideia partiu da Câmara Municipal, mas o objetivo é integrar os concelhos vizinhos, valorizando cada cantinho com história e apostando em novos polos culturais.

Se Eça de Queiroz, que retrata a cidade em ‘O Crime do Padre Amaro’, voltasse a Leiria, iria encontrar um centro histórico em recuperação, com novos negócios, e os passeios à beira do Lis teriam outro encanto e beleza.

Quem sabe se o olhar do escritor se prenderia numa das pinturas murais ou se aproveitaria as pontes temáticas para descansar as pernas, sentando-se na ‘ponte sofá’ ou tomando uma bebida na ‘ponte bar’.

Sem rainhas nem milagres, continua a ser dos Paços do Castelo que se tem a melhor vista da cidade. 

Rota histórica e literária por locais que Eça imortalizou
As referências a Leiria no livro ‘O Crime do Padre Amaro’ levaram à criação de uma rota histórica e literária, que percorre a zona histórica da cidade, com paragens em locais citados no romance, que retrata "o meio beato de Leiria" de finais do século XIX.

Eça de Queiroz residiu na cidade durante o ano em que foi administrador do concelho de Leiria, hospedando-se numa casa na travessa da Tipografia. 

Paredes são telas para arte urbana
Impulsionar o turismo cultural na área da arte urbana é um dos objetivos do evento ‘Leiria, paredes com história: arte pública’, que tem enriquecido a cidade com mais de uma dezena de pinturas murais de grande dimensão, da autoria de artistas nacionais e estrangeiros.

É disso exemplo o trabalho assinado por Bordalo II, que a partir de ecopontos danificados, diversos plásticos e metais deu corpo a uma garça com três filhotes. O trabalho embeleza uma parede das antigas instalações da EDP, junto à ciclovia que acompanha o rio Lis.

Nas proximidades há trabalhos de Ricardo Romero, Bezt, Zoer, Robô, Jane & JS e Catarina Glam, entre outros, que merecem uma visita demorada. Há também muito para ver na zona histórica, alguns em edifícios abandonados, que assim ganham uma nova vida, já que se trata de grande impacto visual.

Centro de comércio
Desenhada a calçada portuguesa, esta é a sala de visitas da cidade, mas na época medieval era a praça de São Martinho, por acolher uma igreja dedicada ao santo. Com o poeta leiriense Francisco Rodrigues Lobo em pose declamatória a um canto, a praça foi renomeada em 1877 em homenagem ao ‘cantor do Lis’, que morreu aos 42 anos.

São varias as lojas, cafés e restaurantes virados para a praça, mas o edifício que se destaca é o Ateneu de Leiria, um antigo palácio setecentista da família Oriol Pena, cujo brasão ainda se mantém na fachada virada para a rua Vasco da Gama. Livre de carros, é reino de peões e o ponto de partida para qualquer uma das estreitas ruas e ruelas do centro histórico, onde se encontram as lojas e oficinas mais antigas, mas também os negócios mais invulgares.

A vista para o castelo é outro dos atrativos.

Relva em vez de horta
Já corria o século XXI quando as pequenas hortas foram trocadas por um magnífico relvado, que nas noites de verão acolhe cinema ao ar livre. O Jardim da Vala Real foi construído no local que começou por ser o encanamento do rio Lis, na margem direita, junto à rua de Tomar e encostado à ponte Hintze Ribeiro, no coração da cidade.

Um dos principais acessos é feito pela ponte El-Rey D. Dinis, que atravessa o rio e foi inaugurada em 2013, durante a caminhada e corrida ‘Brisas do Lis Night Run’. Trata-se da ponte pedonal mais recente da cidade, proporcionando uma vista única da malha urbana, ao longo do tabuleiro suspenso com mais de 50 metros de comprimento.

O pavimento é em madeira e as guardas são em vidro laminado temperado transparente, para nunca se perder o rio de vista. É comum haver patos a nadar no rio. 

Livros e companhia
A venda de livros é o principal negócio, mas o que se destaca é uma agenda cultural de fazer inveja. Instalada na rua Combatentes da Grande Guerra, a Livraria Arquivo já completou 40 anos e assume-se como um espaço cultural e de promoção de escritores, artistas plásticos e outros autores, sobretudo da região de Leiria.

Se livros não faltam, para todas as idades e preferências, a escolha pode ser demorada, enquanto se toma uma bebida ou se trocam dois dedos de conversa na zona destinada a cafetaria. Há também uma galeria, com exposições mensais que podem ser desfrutadas em visitas dançantes com coreografias executadas por bailarinas da Escola de Dança Clara Leão.

O espaço serve também para conferências e oficinas temáticas. Para as crianças, a novidade são as sessões de ioga e a animação de histórias. 

Campeões sobre rodas
Os praticantes de desportos radicais têm ao seu dispor um parque da última geração, que foi desenhado com contributos de elementos da comunidade skater leiriense.

É constituído por 13 obstáculos, rampas, escadas, quarter-pipe, mini-halfpipe, lombas, muretes e cubos, numa área de grande dimensão, adequando-se aos diferentes níveis de dificuldade, de forma a permitir a evolução na prática aos seus utilizadores.

Trata-se do mais recente parque radical da cidade - há outro junto ao complexo de escalada, no percurso do Polis - e vem dar resposta às necessidades sentidas pelos praticantes de skate, BMX Freestyle e patins em linha.

Situa-se no Parque Municipal Coronel Filipe da Fonseca, mais conhecido por Parque do Avião, e foi inaugurado em outubro de 2016, com uma prova que reuniu a elite do skate nacional. 

Histórias da vida perpetuadas na pele
A mais antiga loja de tatuagens de Leiria abriu há quinze anos e já conheceu várias instalações, nunca saindo da zona histórica da cidade. Atualmente a Just Tattoos está na praça Rodrigues Lobo, num edifício de três pisos onde no século passado existiu uma escola de datilografia.

Se as paredes falassem, seriam muitas as histórias contadas pelas velhinhas máquinas de escrever com teclado azerty ou hcesar e agora pelas modernas agulhas dos tatuadores, que fazem arte no corpo de quem os procura. O grupo de tatuadores é constituído por "meia dúzia de rapazes" que se dizem "empenhados na criação de soluções para serem tatuadas" e já acumulam vários prémios, em concursos nacionais e internacionais.

Os clientes são recebidos por Pepe, que os encaminha para as salas dos tatuadores Pedro, Jorge, Ouriço, Danilo, Ventura e Ricardo.
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