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Correio da Manhã

Boa Vida
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Azeites novos em avaliação

Começam a chegar ao mercado azeites de 2017/2018.
Edgardo Pacheco 31 de Janeiro de 2018 às 19:51
Azeite
Azeite FOTO: Direitos Reservados
Noutros países mediterrânicos existe a tradição de se comemorar a chegada do azeite novo. Este ano, por exemplo, vários produtores e associações espanholas foram a França promover os seus produtos junto dos cozinheiros franceses, profissionais que funcionam como pontas de lança na divulgação da nobre gordura junto dos consumidores.

Por cá não temos nada que se compare, mas destacamos o Festival de Sabores do Azeite Novo, que, em Mirandela, desenvolve um conjunto variado de iniciativas para promover o conhecimento do azeite junto dos consumidores.

E enquanto não se cria um festival de dimensão nacional, teremos de andar pelas prateleiras à procura de azeites da campanha mais recente (2017/2018), necessariamente mais ricos.

Esta é uma campanha que, por via da seca, deu origem a azeites com perfis diferenciados. Ainda assim, há sempre marcas excecionais. E neste caso fomos à procura de azeites feitos maioritariamente com variedade Galega.

Devemos dar prioridade aos azeites mais frescos
Ao contrário do vinho, o azeite não melhora com o tempo. Pelo contrário, degrada-se, pelo que devemos ter a preocupação em comprar azeites da colheita mais recente. Sempre. São mais ricos e intensos em matéria de aromas e sabores.

Azeite de luxo com desenho de Cargaleiro 
Os azeites da cooperativa de Vila Velha de Ródão são tão bons quanto escassos. De resto, num ranking anual dos azeites mais premiados em diferentes concursos, a marca premium desta casa lidera a lista vencedora há nove anos. É obra. Nesta colheita com o rótulo desenhado por Manuel Cargaleiro estamos perante um azeite com notas bem vincadas da amêndoa verde e, na boca, sabores curiosos de baunilha. Guloso e desafiante. 
Região Beira Interior
Variedade Galega
Preço 15 €

Paixão por oliveiras muito velhas
É difícil encontrarmos um azeite com nome tão bem escolhido. João Rosado recebeu de herança uns terrenos com oliveiras plantadas pelo avô. Não percebendo muito de azeite, pediu opiniões a amigos, que lhe recomendaram a substituição das árvores velhas por outras mais produtivas. Não foi por aí. E ainda bem porque agora temos um Amor é Cego cheio de romantismo. Azeite suave, com notas maduras de frutos secos. Ideal  para peixes cozidos. 
Região Alentejo
Variedade Galega
Preços Entre 7,5 e 10 €

Brilhantismo de colheita em colheita 
Dizem que Alberto Serralha – criador de de muitos outros azeites – é o técnico mais competente a fazer lotes em Portugal. Poderá ser, visto que este seu topo de gama feito em Abrantes é um dos azeites mais premiados em Portugal, conseguindo manter uma consistência de qualidade impressionante. A variedade Cobrançosa dá sempre umas notas verdes. A Picual e alguma Gale vão dar complexidade aromática (notas de flores da ribeira) ao conjunto. 
Região Ribatejo
Variedades Cobrançosa, Picual e Galega
Preço 8 €

A maçã e a banana verde nunca falham
Quando algum cozinheiro deseja um azeite com notas vincadas de maçã (um descritor típico da variedade), este Herdade do Esporão costuma  ser uma solução pela intensidade do fruto. Nesta edição as notas serão menos explosivas, mas não deixa de ser muito curioso sentirmos na boca sabores de meloa. Sim, isso é possível num azeite. E desejável quando, por exemplo, queremos dar maior riqueza a um qualquer gelado. 
Região Alentejo
Variedade Galega
Preços 11 €

Trio de galega, verdeal e cordovil
É outro caso de paixão pela herança familiar. O fotógrafo Gonçalo Rosa da Silva
tem uma enorme admiração pelo trabalho da avó Angélica enquanto agricultora alentejana, pelo que, quando ficou responsável pela gestão de olivais velhos de sequeiro, não teve dúvida quanto ao nome da marca.
É um azeite complexo, com notas de compota de tomate e alguns citrinos. Bons amargos, belo picante.
Região Alentejo
Variedades Galega, Cordovil e Verdeal
Preço Entre 12 e 15 €

O azeite que encanta o chef Alain Passard
Trata-se de um produtor  pouco conhecido, mas com tanta qualidade nos azeites que um dos mais importantes chefes do Mundo (Alain Passard, do L’Arpège, em Paris) decidiu usar Courela do Zambujeiro nas suas mesas. Apesar de este azeite de Galega estar menos expressivo do que a colheita passada, é um belo exemplar da variedade, com as notas de maçã e algum amargo e picante que crescem lentamente. 
Região Alentejo
Variedade Galega
Preço 5 € (250 ml)

Usar galheteiro é proibido 
Alguns donos de restaurantes estão convencidos que a lei que proibia os galheteiros foi revogada.   É falso. Está em vigor, pelo que apresentar galheteiros ou garrafas com sistemas de abertura violável é crime. Esta é a forma de proteção dos consumidores. E que, de resto, foi aplicada em Espanha a partir do exemplo português. 

Provar com os amigos
Um provador profissional avalia um azeite em copo próprio e aquecido a 28 graus; os consumidores, com pão. Ora, entre uma e outra há a prova do camarão, que é coisa que quase toda gente gosta. Arranje quatro azeites diferentes e coloque cada um num pires. Depois peça aos seus amigos que molhem um camarão por cada um dos azeites. E assim, de forma lúdica e saborosa, cada um perceberá que azeite lhe convém. 
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