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Correio da Manhã

Boa Vida
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Volta a Portugal em pratos típicos

Uma viagem gastronómica pelos melhores petiscos.
Paulo Fonte(paulofonte@cmjornal.pt), Secundino Cunha, Alexandre M. Silva, Aureliana Gomes e José Luís Oliveira 19 de Julho de 2016 às 06:00
Cozido à Portuguesa
Cozido à Portuguesa FOTO: DR
Verão significa férias, o período de descanso é uma oportunidade para viajar. Neste artigo é feita uma Volta a Portugal – não em bicicleta, que decorre de 27 julho a 7 de agosto, mas, sim, em pratos típicos, divididos por distritos. Esta é uma forma de fazer crescer água na boca aos leitores e sugerir um roteiro gastronómico para estes dias de lazer e de prolongado prazer à mesa sem a ditadura do relógio.

A listagem não se pretende exaustiva, procura-se destacar os principais sabores da rica gastronomia de norte a sul do País, feita de tradição e de mão-cheia na cozinha. Uma lista interminável de pratos poderia constar desta listagem. Como um ‘recorde-se’, nota para as Maravilhas da Gastronomia representadas pela sardinha assada, o caldo verde, o arroz de marisco, a alheira de Mirandela, o queijo da serra da Estrela e o pastel de Belém.

A escolha é variada, delicie-se com boas refeições.

O pão alentejano está na base de muitos pratos confecionados na região
Ensopado de borrego - 
As carnes e o pão alentejano fundem-se num dos pratos mais emblemáticos da cozinha tradicional alentejana. Segundo os registos históricos, esta é uma receita que se mantém inalterada desde o século VIII. Cozinhado, preferencialmente, em tacho de barro, no ensopado são utilizadas as carnes da pá, do peito, do cachaço e as costeletas de borrego cortadas em pedaços e condimentadas com alho, sal, louro, pimenta e colorau. A carne é passada por farinha e alourada em banha e cebola. Depois é servida numa terrina com água, necessária para ensopar as fatias de pão alentejano cortadas em pedaços finos. Há quem junte batata cozida.

A refeição que dá força para fazer o caminho para a abadia
Rojões -
A subida do ‘arrebentaço’, no antigo caminho para a Senhora da Abadia, em Amares, obrigava a um esforço físico fora do comum. Reza a lenda que aguentava bem a ‘estopada’ quem, em Santa Maria de Bouro, se abanquetasse com uma boa dose de papas de sarrabulho, acompanhadas por rojões à moda do Minho.

Uma iguaria robusta com um sabor a lenda
Tripas à moda do Porto - 
Um prato ligado à história da cidade e do País e que deu aos portuenses a alcunha de ‘tripeiros’. Quem vem ao Porto não se despede sem provar o prato típico da cidade. A tradição das ‘tripas’ remonta a vários séculos. Há diversas lendas que tentam explicar a confeção do prato, mas a mais conhecida remete para os Descobrimentos, em concreto para a conquista de Ceuta.

Segundo reza a lenda, o infante D. Henrique deslocou-se à Invicta, em 1415, para verificar o andamento dos trabalhos do maior estaleiro naval do País, instalado na atual Alfândega do Porto. Terá ficado satisfeito com o que viu, mas não acreditava que os barcos estivessem prontos a tempo. Confidenciou com o mestre Vaz a necessidade de um maior esforço. Ao saber da preocupação, as pessoas juntaram-se e ofereceram toda a carne da cidade aos marinheiros, ficando com as sobras. Sem carne para comer, inventaram uma forma de cozinhar as tripas e ganharam a alcunha de ‘tripeiros’. 

Um dos pratos mais tradicionais
Cozido à portuguesa -  
Um dos mais tradicionais pratos portugueses, a sua origem não tem uma versão definitiva. Uma das interpretações explica que nasceu na sequência de necessidades económicas; perante a falta de meios de subsistência, a solução para muitas refeições era aproveitar as sobras, colocar tudo numa panela até se apurar uma refeição consistente e com forte valor energético. Outra versão aponta que o prato tem origem judaica, no entanto, o uso de carnes de porco na receita é uma forte razão para contestar tal opinião. Na sua base, com algumas variações consoante a região do país, consta de uma iguaria composta de vegetais, carnes e enchidos cozidos. A receita tem mudado ao longo dos anos, na atualidade tem garantido a capacidade de se manter no topo das preferências e já se encontram derivações gourmet. 

Maravilha gastronómica
Leitão da bairrada -  Um dos pratos regionais mais conhecidos e apreciados da região da Bairrada, foi nomeado uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal. É na Estrada Nacional 1, entre Coimbra e Anadia, em especial na zona da Mealhada, que se encontram dezenas de restaurantes com uma ementa dedicada a este sabor típico. 

Uma tradição da matança do porco
Bucho recheado - Um produto tipicamente beirão confecionado sobretudo na matança do porco. Trata-se de um enchido fumado resultado de uma miscelânea de carnes de porco de raça bísara, como rabo, costelas, cartilagens, osso da espinha, focinho e orelha. A carne é condimentada com água, vinho tinto ou branco da região.

Sabor ligado às festas religiosas
Chanfana -
Um prato praticamente obrigatório nas festividades religiosas da região Centro. Com muitas carne se pode fazer uma chanfana, mas a mais procurada é da de cabra velha. A carne vai ao forno de lenha em caçoilas de barro tapadas com folhas de couve. Esta especialidade surgiu aquando das terceiras invasões francesas. 

Caldo de carne com legumes
Sopa da pedra - É uma sopa consistente feita à base de feijão, couve, batatas, cenoura, carne e enchidos. Ah, falta a pedra: bem lavada, coloca-se no fundo da terrina e é só deixar ferver. Dizem os antigos que foi um frade lambareiro e espertalhão quem inventou esta especialidade. Foi prato finalista às 7 Maravilhas da Gastronomia.

Pitéu nasceu em taberna     
Choco frito -
Contam os populares que este pitéu típico de Setúbal nasceu na segunda metade do século passado, quando um pescador que vivia no bairro do Troino, farto da vida do mar, abriu uma taberna no largo da Palmeira. Para melhor escoar o vinho, lembrou-se de cortar chocos em tiras que depois fritava. Foi um sucesso. 

Um símbolo do Algarve
Cataplana de marisco -
A expansão do turismo estimulou a oferta da restauração, tendo a cataplana ganho lugar cativo. Trata-se de um dos símbolos do Algarve, como o são as chaminés, os Dom Rodrigos e a muchama de atum. Peixe ou marisco são cozinhados com mestria neste engenho que é a ‘bisavó da panela de pressão.
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