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Correio da Manhã

Boa Vida
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Campeonato mundial de surf em Peniche

Supertubos do Molhe Leste deliciam amantes da modalidade.
Paulo João Santos 15 de Outubro de 2016 às 09:00
Etapa portuguesa arranca na próxima terça-feira e pode ser decisiva para a atribuição do título 2016
Fortaleza de Peniche
Consolação
Berlengas - Um tesouro que vale a pena descobrir
Baleal - Observar o mundo na praia de areia branca
Etapa portuguesa arranca na próxima terça-feira e pode ser decisiva para a atribuição do título 2016
Fortaleza de Peniche
Consolação
Berlengas - Um tesouro que vale a pena descobrir
Baleal - Observar o mundo na praia de areia branca
Etapa portuguesa arranca na próxima terça-feira e pode ser decisiva para a atribuição do título 2016
Fortaleza de Peniche
Consolação
Berlengas - Um tesouro que vale a pena descobrir
Baleal - Observar o mundo na praia de areia branca
Ganhou o estatuto de capital da onda e rapidamente se tornou numa referência no mundo do surf, graças às condições excecionais proporcionadas para a prática da modalidade, sobretudo na praia Norte/Molhe Leste, onde os melhores surfistas do Mundo competem anualmente pelo título, enfrentando paredes de água gigantescas, que enrolam em forma de tubo perfeito.

Foi aqui que, em 2014, Gabriel Medina deu um passo importante para a conquista do primeiro título brasileiro, quebrando décadas de hegemonia de australianos, norte-americanos e havaianos. O facto de ser uma das últimas provas do circuito, torna a etapa de Peniche decisiva para a atribuição do campeonato, o que sublinha ainda mais a sua importância. Este ano não será diferente. A partir da próxima terça-feira, John John Florence, Medina, Matt Wilkinson e demais gigantes da modalidade têm encontro marcado no mar dos Supertubos. Em busca da perfeição. Em busca da glória. Em busca do título.

Seria, contudo, demasiado redutor – um pecado, até – olhar Peniche apenas como a ‘capital da onda’. A cidade e o concelho encerram outras relíquias e pontos de passagem obrigatória a quem se deslocar à região para ver o Mundial de Surf. O forte, as praias do Baleal e da Consolação e as Berlengas não irão desiludir, seguramente, quem procura sensações e encantos diferentes.

O português que já ganhou ao lendário Kelly Slater
Apontado como o sucessor de ‘saca’, frederico morais, conhecido no mundo do surf por Kikas, é, aos 24 anos, a maior esperança portuguesa da modalidade. Natural de Cascais, cedo se percebeu o seu enorme potencial, ainda que tenha crescido numa família apaixonada pelo râguebi. O tio, Tomás Morais, conduziu pela primeira vez a seleção das Quinas (que ficou conhecida por ‘Os Lobos’), a um mundial da modalidade, em 2007. Incentivado pelo pai, Kikas começou a surfar com apenas seis anos e, aos 10, já era uma estrela. Mas foi no passado mês de abril que Frederico Morais conquistou o maior resultado da sua carreira, ao vencer o Martinique Surf Pro. Kikas estará em Peniche, onde já conheceu a glória, quando derrotou o norte-americano Kelly Slater, o maior surfista de todos os tempos (ainda em atividade), que já conquistou onze títulos de campeão do Mundo. 

A prisão política de segurança máxima que deixou fugir Cunhal
A 3 de Janeiro de 1960, uma das figuras mais temidas da ditadura salazarista ‘evaporou-se’ da Fortaleza de Peniche, prisão política de máxima segurança durante o regime do Estado Novo (1934- -1974). Com a ajuda do militar da GNR Jorge Alves, Álvaro Cunhal, líder histórico do PCP, e nove camaradas de partido saltaram as muralhas da mais importante prisão fascista e rumaram à liberdade perdida.

Hoje transformada em museu arqueológico e etnográfico, a estrutura mandada construir por D. João III em 1557 e concluída por D. João IV em 1945, para defender o litoral, preserva intacta as memórias deste passado recente: as celas de tamanho exíguo, a sala da tortura, o parlatório, as cartas que nunca chegaram ao destino, o recreio, a solitária, os desenhos de Cunhal. Um reencontro com a história que atrai anualmente mais de 40 mil pessoas.

Observar o mundo na praia de areia branca
A ilha das pombas, um imponente e poderoso ‘rochedo fatiado’, é a cereja no topo do bolo que as vistas deslumbrantes da Península do Baleal proporcionam a partir do seu interior, seja qual for o ponto de observação. A robustez daquele imenso bloco retangular que se ergue no horizonte e a simetria das ‘fatias’, impressionam. Dir-se-ia estarmos perante a natureza em todo o seu esplendor e perfeição, que aqui se revela a meio do percurso pedestre de quem visita este autêntico ex-líbris do concelho de Peniche. A cada passo, em cada olhar ao redor, a península em forma de língua vai desvendando um universo de sensações e mistérios.

De regresso à praia, cortada por um caminho estreito que liga o Baleal (outrora ilha) ao continente, apetece sentar na areia, muito fina e branca, observando as ondas irrequietas, sentindo o vento percorrer o corpo e parar no tempo. De um lado ou do outro, não faltam aventureiros prontos a experimentar os desportos náuticos mais radicais.

Um tesouro que vale a pena descobrir 
A viagem não é longa, cerca de sete milhas náuticas, mas, pelo sim pelo não, recomenda-se, a toma de um comprimido contra o enjoo, que o mar por aqui nunca adormece e seria um desperdício não aproveitar ao máximo este tesouro de 1500 metros de comprimento e 800 de largura, que se ergue ao largo de Peniche.

Residência de aves aquáticas como a cagarra, as gaivotas-argênteas ou corvo-marinho-de-crista, e ponto de passagem de numerosas espécies migratórias, a ilha das Berlengas é um verdadeiro santuário para os amantes da natureza. São múltiplas as opções colocadas à disposição do visitante por vários operadores turísticos, desde a observação da fauna e flora, aos passeios pedestres, passando pelo mergulho, uma das atividades mais procuradas. Um mundo em estado puro que vale a pena explorar e descobrir.

Praia terapêutica em ambiente de paz
Quem visita a praia pela primeira vez não pode deixar de se interrogar: o que leva tantas pessoas a exporem-se ao sol numa laje rochosa, inclinada, rugosa e algo agreste, na base do Forte de Nossa Senhora da Consolação, a quatro quilómetros de Peniche? Será excessivo falar em milagre, mas as milhares de pessoas que por ali passam, muitas vindas propositadamente do estrangeiro, conhecem o segredo: o iodo acumulado nestas paragens, aliado a outras condições naturais, proporciona excelentes condições terapêuticas, nomeadamente para quem sofre de reumatismo, da coluna, de doenças dos osso.

Do outro lado do forte, o extenso areal que liga a Consolação a Peniche faz as delícias dos que procuram a paz e a tranquilidade. Mesmo no verão, sobra espaço para viver verdadeiros momentos de descanso, a ouvir o som do mar. 

Tudo o que precisa para uns dias bem passados:
Lugar perfeito para descansar - 
O Hotel Atlântico Golfe, a meio caminho entre Peniche e a Consolação, proporciona todas as condições para carregar baterias. Bons quartos, piscina de água quente, excelente restaurante. (preço/noite: quarto 62 €, villa 70 €)

Paisagem sobre o imenso Atlântico - 
O Cabo Carvoeiro é local de passagem obrigatória para quem visita Peniche. Uma paisagem absolutamente deslumbrante sobre o imenso Atlântico.

Restaurantes à escolha - 
Não faltam restaurantes, a preços acessíveis, onde se pode apreciar ótima gastronomia, sobretudo os pratos de peixe. É só escolher, que será bem servido.

Localização privilegiada - 
A localização privilegiada de Peniche coloca a pouca distância outras paragens que devem fazer parte do seu roteiro. Caso da vila de Óbidos, a 25 quilómetros.
surf peniche campeonato mundial
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