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Correio da Manhã

Boa Vida

Keane: "Parece que está destinado ficarmos juntos"

Numa altura em que goza de uma segunda vida, a banda britânica regressa a Portugal. Para trás ficaram as dependências e as depressões.
Miguel Azevedo 24 de Janeiro de 2020 às 15:00
Keane
Keane FOTO: Direitos Reservados
Apenas seis meses depois de terem passado pelo festival Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia, os Keane estão de volta a Portugal, desta feita para duas datas em nome próprio, este sábado no Coliseu do Porto e no domingo no Campo Pequeno, em Lisboa.

Este regresso acontece numa altura em que o grupo está a viver uma espécie de segunda vida, depois de ter passado por um longo hiato de cinco anos, período durante o qual o carismático Tom Chaplin teve de lutar contra a dependência das drogas. "Foi muito difícil lidar com a situação dele. As pessoas que sofrem de adições acabam por ser isolar muito, não querem falar do assunto e quem está perto delas acaba por não conseguir ajudar porque também não sabe ao certo o que se passa. Muitas das coisas pelas quais o Tom passou eu só soube há muito pouco tempo", começa por contar o baixista, Jesse Quin. "A verdade é que ele recuperou e no final até acabou a pedir-nos desculpa".

Se em 2013, depois de terem corrido o Mundo para comemorar os dez primeiros anos de carreira, os Keane decidiram fazer uma pausa por tempo indefinido, a verdade é que um concerto solidário em 2018 acabou por desbloquear o regresso. "Divertimo-nos bastante e quando terminámos a atuação sentámo-nos então a conversar sobre a hipótese de voltarmos. Na verdade eu nem estava muito virado para isso. Estava feliz em casa e tinha, entretanto, aberto o meu próprio negócio, mas quando escutei as musicas que o Tim e o Tom tinham feito achei que voltar era a coisa certa a fazer".

As novas canções, aquelas que agora fazem parte do novo álbum, ‘Cause and Effect’, não versam apenas sobre a adição de Tom, mas também sobre a depressão e o divórcio de Tim Rice-Oxley, o grande compositor do grupo. "No processo de composição, os autores recorrem sempre aos seus sentimentos e às suas experiências pessoais. São quase sempre pessoas muito reservadas que depois se abrem quando chega a hora de escreverem canções", explica o músico que, cinco anos depois, voltou a encontrar o mesmo grupo de amigos, tal qual como os tinha deixado.

"Foi um regresso muito emocionante para nós, porque de facto somos muito amigos e sempre trabalhámos muito bem em conjunto", diz. "Hoje é bom ver que apesar do tempo que passou nada mudou. Compreendemo-nos muito como músicos e seres humanos. Parece que está destinado estarmos juntos. É engraçado porque neste momento eu tenho a minha família, tenho os meus filhos e sinto que estou a viver duas vidas".

O regresso agora a Portugal faz também parte do processo de identificação com boas memórias do passado, ou não tivesse o grupo já sido bastante feliz no nosso país. "As nossas experiências em Portugal sempre foram fantásticas. Em julho do ano passado tocámos no Porto e o público foi uma vez mais muito efusivo. Quando estamos em palco e sentimos que do outro lado está alguém a divertir-se connosco não podemos pedir mais nada. Isso é muito gratificante para nós e em Portugal é sempre assim", diz o músico, que promete um concerto de cerca de duas horas com todos os sucessos da banda.

As primeiras partes dos concertos são asseguradas pela cantautora britânica Eliza Shaddad.
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