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Casa Ermelinda Freitas: 100 anos de vinhas e vinho

Gerida por mulheres desde a fundação, a Casa Ermelinda Freitas deixou de produzir vinhos a granel há cerca de 20 anos, apostando na valorização. Cem anos depois, e pelas mãos da proprietária atual, Leonor Freitas, põe no mercado mais de oito milhões de garrafas, que vende para cerca de 30 mercados mundiais.
21 de Julho de 2020 às 19:17
Leonor Freitas, proprietária e gestora da Casa Ermelinda Freitas
Leonor Freitas, proprietária e gestora da Casa Ermelinda Freitas
Leonor Freitas com a filha, Joana Freitas, a quinta geração feminina da empresa agrícola
Vista da adega, com a vinha à volta, o que facilita o transporte das uvas na altura da vindima
Cave de barricas da empresa, onde repousam alguns milhões de litros de vinho
Na Casa dos Afetos deste produtor vitivinícola, a antiga adega da empresa, pode-se fazer um passeio pelos 100 anos de história
Leonor Freitas, proprietária e gestora da Casa Ermelinda Freitas
Leonor Freitas, proprietária e gestora da Casa Ermelinda Freitas
Leonor Freitas com a filha, Joana Freitas, a quinta geração feminina da empresa agrícola
Vista da adega, com a vinha à volta, o que facilita o transporte das uvas na altura da vindima
Cave de barricas da empresa, onde repousam alguns milhões de litros de vinho
Na Casa dos Afetos deste produtor vitivinícola, a antiga adega da empresa, pode-se fazer um passeio pelos 100 anos de história
Leonor Freitas, proprietária e gestora da Casa Ermelinda Freitas
Leonor Freitas, proprietária e gestora da Casa Ermelinda Freitas
Leonor Freitas com a filha, Joana Freitas, a quinta geração feminina da empresa agrícola
Vista da adega, com a vinha à volta, o que facilita o transporte das uvas na altura da vindima
Cave de barricas da empresa, onde repousam alguns milhões de litros de vinho
Na Casa dos Afetos deste produtor vitivinícola, a antiga adega da empresa, pode-se fazer um passeio pelos 100 anos de história

A Casa Ermelinda Freitas que comemora, este ano, 100 anos de atividade, foi eleita Produtor Europeu 2020 no Sommelier Wine Awards, em Inglaterra, pelo segundo ano consecutivo. A competição premeia os melhores vinhos disponíveis nos restaurantes, bares e hotéis do Reino Unido, selecionados por um júri de 150 escanções. No evento, a Casa Ermelinda Freitas conquistou 12 medalhas, entre as quais quatro de ouro, seis de prata e duas de bronze. A grande novidade foi o ouro alcançado pelo vinho Campos do Minho, do mais recente projeto da empresa, a Quinta do Minho, na Região dos Vinhos Verdes.


"Esta distinção recompensa o empenho de toda a equipa e mostra, mais uma vez, que estamos no caminho certo", diz Leonor Freitas, presidente da empresa.





Capacidade empreendedora

Com uma capacidade inata para aprender e empreender, a gestora transformou a empresa agrícola dos pais – um pequeno negócio de vinhos a granel, criado pela família em 1920 – numa das maiores vitivinícolas da Península de Setúbal, que exporta cerca de 35% da produção para mais de 30 mercados da América do Norte e do Sul, Europa, Ásia e África. O volume de negócios em 2019 foi de 29 milhões de euros.

A empresária que, aos 68 anos, diz ainda ter ideias por concretizar foi fazendo crescer a casa, procurando novos clientes, mercados, ao mesmo tempo que ia investindo, de forma sustentada, em vinhas, instalações, equipamentos e colaboradores, para responder à procura sempre crescente pelos vinhos da casa. Hoje, pode-se comprar referências desta casa em quase todos os pontos de Portugal e em várias dezenas de mercados do mundo.






Perfil da empresa



Ano da fundação

1920

Volume de negócios em 2019

29 milhões de euros

Percentagem de exportação

35%

Número de mercados internacionais

30

Área de vinha

550 hectares

Volume de produção

Mais de 21 milhões de litros de vinho




Investimento na adega

Leonor Freitas é a quarta geração de mulheres à frente dos destinos da empresa agrícola fundada por Leonilde Assunção, em 1920, na freguesia de Fernão Pó, concelho de Palmela. A gestão feminina manteve-se pelas mãos de Germana Freitas, a avó da presente proprietária, e depois pela mãe, Ermelinda, que deu o nome atual à empresa. Sente-se na forma afetiva como Leonor trata de tudo o que faz.

Nos últimos 14 anos, o crescimento da Casa Ermelinda Freitas intensificou-se, desde que a atual proprietária se dedicou em exclusivo ao negócio. Investimentos recentes nas instalações destinaram-se, principalmente, a facilitar o processo logístico no seio da empresa, contribuindo para melhorar a resposta às solicitações do mercado.


De volta à origem

A proprietária e gestora da Casa Ermelinda Freitas é da terra. Nasceu e cresceu em Fernão Pó. Tirou o curso de Serviço Social no Instituto Superior de Serviço Social, no Largo do Mitelo, em Lisboa, e trabalhou durante mais de 20 anos no Ministério da Saúde, onde se dedicou em particular a áreas como a da prevenção contra o alcoolismo e das toxicodependências, etc.

Não pensava voltar a Fernão Pó, mas, no final da década de 90, o pai faleceu de repente e a mãe não tinha condições para levar o negócio para a frente sozinha. "É por isso que estou aqui e que existe, hoje, a Casa Ermelinda Freitas", explica a empresária, contando que voltou há 22 anos.


No início eram apenas três pessoas, incluindo Leonor Freitas, numa casa agrícola com 60 hectares de vinha. "A maior parte estava plantada com a casta tinta tradicional da região, a Castelão. Além disso, havia um pouco de cepas brancas Fernão Pires, que apenas representavam 5% do total", recorda. Naquela altura a adega era, como muitas outras em Portugal, tradicional, estruturada essencialmente para a vinificação de tintos.


Mais de 1000 prémios

Apesar de não se sentir preparada para se envolver no projeto, abraçou-o "muito motivada". Acumulou, prudentemente, a gestão da empresa com o trabalho no Estado e continuou a vender vinhos a granel, tal como o tinham feito os antecessores.

Estimulada pela capacidade inata de empreender, começou por alargar o património vitícola com as primeiras aquisições feitas por motivos afetivos, a parentes. "Assim fui juntando, de novo, a herança partilhada da minha avó", explica Leonor Freitas. Depois, passou a adquirir mais vinhas porque precisava, para assegurar a produção e a resposta às solicitações do mercado, que foram crescendo.


A casa compra também uvas a mais de 150 viticultores da região de Palmela, na Península de Setúbal, muitos deles parceiros há mais de 50 anos. Todas são monitorizadas para assegurar a qualidade dos vinhos que a empresa põe no mercado, que tem sido atestada, ao longo dos anos, por mais de 1000 prémios conquistados em concursos nacionais e internacionais do setor.


Valorização do produto

Ainda vendia apenas vinho a granel quando visitou, pela primeira vez, a Vinexpo, em Bordéus, a primeira feira internacional. "Foi um marco da minha vida", diz Leonor Freitas, por ter sido o primeiro contacto com o universo dos vinhos engarrafados no mercado global. Foi o primeiro com outra realidade, onde sentiu "que tratavam os vinhos como joias". Também ficou fascinada com o cuidado que os produtores tinham com a imagem das garrafas.

Foi quando visitou vários produtores de renome, da região de Bordéus, em conjunto com Jaime Quendera, o enólogo da empresa, que conheceu nessa viagem, que deu conta de que "estava a desperdiçar património". Ali, as áreas de vinha eram, em média, muito inferiores à sua, mas estavam muito mais valorizadas, dado o prestígio das marcas. Ou seja, cada quilo de uva, transformado em vinho, era muito mais valorizado do que numa casa que o comercializava a granel, como a sua.




Terras de Pó: a primeira marca

Foi lançada ainda na década de 90. Em 2002, decidiu lançar-se exclusivamente na produção e comercialização de vinhos engarrafados. A partir daí, criou mais marcas e passou a vender vinhos em bag in box. "Fi-lo de forma envergonhada, pois a imagem deste tipo de embalagens, na altura, não se coadunava com vinhos de qualidade", conta Leonor Freitas, acrescentando que a opção foi correta, pois a comercialização de vinhos de qualidade, dentro de bag in box, foi a principal razão do sucesso inicial da empresa, fora e dentro do país.

Eram produtos de qualidade, certificados para Indicação de Proveniência Regional (IPR) ou Denominação de Origem Protegida (DOP), como vinhos de reserva pela câmara de provadores da Comissão Vitivinícola Regional de Setúbal. Foram tão bem aceites onde entravam, que começaram a aparecer pequenos revendedores, na empresa, a quererem comercializá-lo, a nível local, em diversas zonas do País. Hoje, são várias dezenas em todo o território nacional. Para eles, esta casa criou a marca M.J. Freitas, apenas vendida em restaurantes e cafés. Ainda hoje é a marca mais vendida em bag in box.

Nas diversas idas ao estrangeiro, à procura de novos mercados e clientes, começou a verificar que os consumidores internacionais não queriam vinhos da casta Castelão, e sim das variedades de origem francesa mais divulgadas, como as tintas Syrah ou Merlot. Como queria produzir vinhos diferentes e precisava de exportar, Leonor Freitas plantou castas internacionais, mas também as portuguesas mais conhecidas lá fora, como a Touriga Nacional ou a Tinta Roriz.



Vinhos de nicho: Leo d’Honor

O primeiro vinho que foi engarrafado pela empresa estava ainda em barrica, após ter tido uma boa classificação na CVR Setúbal, no dealbar do novo milénio. Os supermercados Pingo Doce, que apostavam forte em vinhos, na altura, souberam disso e contactaram Leonor Freitas. A proposta foi fazer uma marca própria para a cadeia. Hoje, a Casa Ermelinda Freitas tem uma distribuidora para todo o território nacional, a Prime Drinks e vende diretamente na maioria das grandes superfícies.


Ter uma oferta mais competitiva, para o quotidiano, ajuda a sustentar o negócio de uma adega com a dimensão atual da sua, e permite-lhe fazer também produtos mais de nicho, como o Moscatel Superior, os monovarietais, o Quinta da Mimosa ou o Leo d’Honor.

Apesar de ter, hoje, uma oferta alargada, com várias gamas, Leonor Freitas não considera que o consumidor se baralhe com isso, até porque o objetivo é disponibilizar vinhos para todas as bolsas e ocasiões. Apesar de a vinha ter hoje 31 castas, e a Casa Ermelinda Freitas comercializar diversos vinhos monocasta, a empresária quer continuar a ser a Senhora do Castelão de Palmela.

Explica que os solos arenosos onde se desenvolvem os vinhedos são os mais apropriados para a casta e que é, por isso, que ainda mantém 170 hectares de vinha velha. É da mais antiga, com 80 anos, que sai o topo de gama da empresa, o Leo d’Honor, vinho que só sai em anos de qualidade excecional desta parcela.



"Tem uma produção pequena, de cerca de duas toneladas de uva por hectare, muito inferior às mais recentes, que é de 10 toneladas/ha. Mas nota-se a estrutura, o maduro, a diferença do vinho", defende, explicando que ela e Jaime Quendera viram, desde o início, que dali se produzia um vinho diferente, de qualidade superior.

Por isso, foi logo embalado numa garrafa melhor. As provas, ao longo do tempo, atestaram a qualidade, o que levou à decisão de se fazer, daquela vinha, o topo de gama da Casa Ermelinda Freitas. O nome, Leo d’Honor, ou Leão de Honra, foi sugerido por um historiador a Leonor Freitas, com a explicação que era um dos símbolos da casa de Fernando Pó, o navegador português que descobriu as ilhas do Golfo da Guiné, na costa ocidental de África, em 1472, e deu origem ao nome da terra onde fica a sede da empresa.