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O impacto da pandemia na esclerose múltipla

Um estudo dos efeitos das vacinas em doentes com esclerose múltipla mostra que não há efeitos secundários diferentes ou mais frequentes nestes doentes do que na restante população.
2 de Março de 2021 às 10:00

Uma doença rara é uma doença crónica maioritariamente grave, degenerativa e muitas vezes fatal precocemente. Na União Europeia, consideram-se doenças raras as que têm uma prevalência inferior a cinco em 10 mil pessoas. Em Portugal, estima-se que existam cerca de 600 a 800 mil pessoas portadoras destas doenças.

No Dia das Doenças Raras, que se celebrou no passado dia 28 de fevereiro, importa conhecer e alertar também para o impacto que a pandemia tem nestes casos, abordando como exemplo a esclerose múltipla, que em Portugal afeta cerca de 7 mil pessoas.

O problema maior que a pandemia trouxe foi a alteração dos cuidados (cancelamento, adiamento de consultas e de exames) e sobretudo a falta de reabilitação. João Cerqueira, neurologista responsável pela consulta de esclerose múltipla no Hospital de Braga e presidente do grupo de Estudos de Esclerose Múltipla (GEEM), alerta para o facto de serem doentes que necessitam de reabilitação motora, ocupacional e cognitiva permanente.

"Todo o contexto associado à pandemia fez com que um número muito significativo esteja a piorar consideravelmente, e por vezes com perdas irrecuperáveis, por não ter acesso à reabilitação de que necessita dado que muitas clínicas reduziram a atividade ou fecharam portas."

O neurologista refere que teve doentes que pediram, sobretudo na primeira vaga em que começaram a ter muitos doentes, para não ir à consulta, pelo que acabaram por converter todas as consultas em não presenciais entre meados de abril e setembro.

"Reabrimos as consultas presenciais em setembro. Apenas em janeiro se notou uma redução de cerca de 25% de doentes que pediram consulta não presencial", sublinha o João Cerqueira.

Os números dos adiamentos das consultas de esclerose múltipla apresentados no Hospital de Braga são genericamente semelhantes à escala nacional, com maior expressão na zona de Lisboa desde janeiro, dado o número de casos na 2ª e 3ª vaga da pandemia nesta região.

Vidas mais difíceis

Alexandre Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), destaca que "a vida de todas as Pessoas com Doença Rara (PcDR) se tornou bem mais difícil. Em média, todas as consultas e tratamentos tiveram atrasos superiores a seis meses no primeiro ano da pandemia o que significou muita ansiedade e o natural deteriorar da saúde e da qualidade de vida destas pessoas."

Muitos dos doentes com esclerose múltipla estão confinados há mais de um ano. Uma situação que tem conduzido "a uma perda progressiva e permanente de autonomia e a um aumento assustador das comorbidades associadas à esclerose múltipla, o que poderia ser atenuado com uma vacinação mais rápida que permitisse que retomássemos mais cedo à normalidade possível", explica Alexandre Silva.

O presidente da SPEM refere que "ainda não é claro o nível de risco efetivo a que estamos expostos e por isso iremos pugnar pela nossa prioritização nas diversas fases do Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19."


Vacinação covid-19

O neurologista João Cerqueira diz não existirem números relativos à quantidade de doentes imunodeprimidos ou imunossuprimidos infetados em Portugal com covid-19.

O mesmo se aplica a dados relativos à morbidade e mortalidade nestes doentes. Na área da esclerose múltipla, essa informação está a ser recolhida, mas ainda não há dados finais. "Tanto quanto estamos a conseguir perceber, os fármacos imunodepressores usados na esclerose múltipla não estão associados, genericamente, a maior risco de morbilidade e mortalidade", diz o responsável pela consulta de esclerose múltipla no Hospital de Braga e presidente do grupo de Estudos de Esclerose Múltipla (GEEM).

Nesse sentido, "o processo de vacinação covid-19 em doentes imunodeprimidos ou imunossuprimidos está a correr sem dificuldade, mas ainda com números muito baixos", de acordo com o neurologista João Cerqueira, acrescentando que no caso dos doentes com esclerose múltipla, "excetuando os doentes com maior incapacidade e maior idade, não constituem um grupo de risco acrescido para as complicações da covid-19."

Sem grandes efeitos secundários nos doentes com esclerose múltipla

Como qualquer medicação, as vacinas estão associadas a efeitos secundários. Nas que estão em uso para a covid-19 os efeitos são sobretudo ligeiros e transitórios, como dores no corpo, cansaço e, raramente, febre, que passam ao final de um ou dois dias.


O presidente do GEEM diz estarem a iniciar um estudo dos efeitos das vacinas em doentes com esclerose múltipla e, para já, a indicação que tem é que "não há efeitos secundários diferentes ou mais frequentes nos doentes do que na restante população".