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Apoio domiciliário chega a 2200 pessoas por dia

Este serviço está inserido nas dez Unidades de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
23 de Abril de 2020 às 09:55

As circunstâncias excecionais que se vivem devido à pandemia de Covid-19 colocaram desafios adicionais a quem lida de perto com a população sénior. Por isso, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) reformulou formas de atuação e adaptou o funcionamento das suas respostas sociais ao novo cenário de estado de emergência. O reforço do serviço de apoio domiciliário, para cuidar de todos aqueles que nesta altura mais precisam, foi uma das principais medidas.

Os Serviços de Apoio Domiciliário (SAD) inseridos nas dez Unidades de Desenvolvimento e Intervenção de Proximidade (UDIP) da SCML visitam diariamente 2200 pessoas, em condições diversas. "Pessoas com ou sem família, alguns com alguma autonomia outros acamados, mas todos com a sua vulnerabilidade. Muitas vezes são famílias com um pai de 95 e um filho de 75, outras vezes casais em que primeiramente só um tinha apoio e depois passaram a ter os dois", descreve Etelvina Ferreira, diretora da Direção de Desenvolvimento e Intervenção de proximidade. Por isso, o apoio que se presta nestas casas é também diverso. "Pode ser um apoio só para a higiene pessoal ou alimentação ou um apoio mais alargado, que inclua desde a preparação da medicação, à higiene da habitação, às compras de bens pessoais e de primeira necessidade, a articulação com as equipas de saúde (visita de médicos e enfermeiros) e até mesmo um acompanhamento no âmbito dos afetos: uma conversa, a companhia para uma consulta ou um passeio pela rua", exemplifica Etelvina Ferreira.

Tudo isto movimenta uma grande equipa de funcionários e técnicos com as mais variadas especialidades e funções. "Existe um coordenador por cada 70 utentes, num total de 40 coordenadores que orientam uma equipa de 500 agentes de geriatria e apoio à comunidade", acrescenta a Diretora.

Ora tudo isto traduz-se também num enorme esforço coletivo e logístico: "Estamos habituados a monitorizar quase ao minuto os serviços, mas é obviamente uma grande missão". Uma missão que nos primeiros tempos também esbarrou em algumas dificuldades logísticas, como os equipamentos de proteção individual, escassos no mercado. "Tivemos de fazer alguma ginástica, porque fizemos uma realocação e um redimensionamento de recursos humanos e materiais", conta.

Dez psicólogos reforçaram também o apoio via telefone neste particular contexto. "Têm sido identificadas situações de risco, de maior vulnerabilidade emocional e até de ideação suicida. Muitas vezes não compreendem porque é que não podem ir comprar o seu jornal à rua ou porque é que os filhos já não os visitam. Os nossos gestores de processo identificam a situação, fazem um acompanhamento mais próximo e direcionam o caso para esta equipa de psicólogos", explica a responsável.

Radar continua a auscultar aos mais velhos

Em plena atividade continua o Projeto Radar, enquadrado no programa Lisboa, Cidade de Todas as Idades. Durante um ano e um mês, o Projeto Radar identificou 30 mil pessoas com mais de 65 anos a viver sozinhas (ou com alguém da mesma faixa etária) e articulou-se com diversos parceiros para dar uma resposta mais célere às necessidades desta população.

Com a pandemia, toda a estrutura teve de ser adaptada. Os técnicos do Radar estão agora a contactar diariamente, via telefone, estes cidadãos para fazer uma reavaliação das suas necessidades.

O apoio de que necessitam é depois articulado através de uma plataforma virtual que liga todos os parceiros (PSP, ARS, juntas de freguesia, entre outros) através dos quais é possível distribuir-lhes comida, medicamentos ou outros bens, cuidados médicos ou, até, simplesmente, uma palavra amiga. 

Utentes dos centros de dia mantêm apoio à distância

Para proteger utentes, funcionários e promover a necessária realocação de recursos, os centros de dia da SCML foram temporariamente encerrados. Também estes utentes usufruem de apoio telefónico diário e, caso seja detetada alguma situação de maior vulnerabilidade, poderão receber apoio da equipa de psicólogos que agora integra as UDIPs.

Recomendações da Direção-Geral da Saúde

Se é idoso e encontra-se em situação de confinamento ou isolamento social por recomendação médica, saiba que existem formas de minimizar o impacto emocional desses dias. Estes três conselhos foram elaborados pela Ordem dos Psicólogos para a DGS:

1. Falar com os outros

Falar com pessoas de quem gosta e em quem confia é uma das melhores formas de reduzir a ansiedade, a solidão ou o aborrecimento durante o período de isolamento. Não tenha receio de tomar a iniciativa e use o telefone ou outros meios para permanecer em contacto com familiares e amigos.

2. Medicação

Não se esqueça de tomar regularmente a sua medicação. Se sentir algum sintoma fora do normal contacte o seu médico assistente ou centro de saúde via telefone. Pode também ligar para a linha SNS24.

3. Relaxar

Assista aos seus programas de televisão favoritos, alimente um hobbie, se puder faça algum exercício mas tente manter-se ocupado com coisas de que gosta. A exposição mediática pode criar a impressão de que existe um perigo e um risco maior do que aquele que realmente existe. Não tenha medo de saber e fazer perguntas sobre a doença, o seu diagnóstico e o tratamento a profissionais de Saúde.