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Pandemia acelerou procura de soluções tecnológicas

No futuro, as aplicações digitais associadas ao cuidado de idosos podem ajudar a concretizar o desejo destes em permanecer na sua própria casa, com maior autonomia e segurança
17 de Setembro de 2020 às 10:56

"A pandemia pode ter contribuído para um maior interesse na procura de soluções digitais, até porque, muitos de nós, estivemos confinados e em teletrabalho", reconhece Francisco Pessoa e Costa, diretor de Estudos, Planeamento e Controlo de Gestão na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML).

O responsável acredita na necessidade de incluir nos processos respostas inovadoras, de caráter digital, que garantam maior qualidade na prestação de serviços, reduzindo os custos. Mas com bom senso. "Não me atrevo a defender a solução digital como universal. Em alguns setores, a pandemia acelerou a necessidade de transição, conseguindo em poucos meses uma evolução que, num processo normal, demoraria vários anos; noutros, tornou evidente a necessidade de aposta em processos manuais e a valorização do contacto humano", conclui.

Tecnologia pode antecipar situações de risco

O projeto RADAR, que a SCML desenvolveu em parceria com um conjunto de entidades, tendo como objetivo a caracterização da população com mais de 65 anos, identificou o desejo desta população em se manter, o maior tempo possível, junto das suas comunidades, adiando a opção por soluções que impliquem a institucionalização.

"Corresponder a este desejo implica a criação de sistemas de monitoração e controlo que garantam a capacidade de atuação em tempo útil, ajudando-nos a prevenir a ocorrência de situações de maior gravidade e auxiliando-nos na criação de soluções que permitem a adoção de procedimentos com elevado nível de segurança", disse Francisco Pessoa e Costa.

A introdução de componentes de Análise de Dados e de Inteligência Artificial possibilita "incorporar e aperfeiçoar diagnósticos, soluções e respostas", explica o especialista.

"A um outro nível, a produção de conteúdos de entretenimento, permite, para além da componente lúdica, a identificação, numa fase mais precoce, de situações de risco ou de degradação do nível de capacidade cognitiva", acrescentou.

Trata-se, no fundo, de garantir a "capacidade de atuação preventiva em detrimento de uma estratégia de atuação curativa", conseguindo uma utilização racional de recursos, inclusive financeiros, que permita garantir cuidados de qualidade a um número cada vez maior de pessoas idosas, respeitando o seu desejo de permanecer em casa e na sua comunidade.

Inovar sem descurar o lado humano

Francisco Pessoa e Costa lembrou ao ‘CM’ que apesar da importância que a tecnologia poderá vir a assumir no cuidado e acompanhamento da população idosa importa nunca "descurar a componente humana".

"A tecnologia não deve servir para tornar os idosos mais isolados, mais sós, entregues a si mesmos, sem apoio. Pelo contrário, deve ser utilizada como componente de reforço da proximidade e do compromisso de intergeracionalidade. Devemos, em minha opinião, abordar a questão do aumento de autonomia, que acredito sermos capazes de aumentar através da tecnologia, tendo sempre em consideração que a componente mais importante de atuação continua a ser a que valoriza o aspeto humano e a necessidade que todos temos de ser acarinhados".