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Por travão à solidão que o vírus agigantou

O Projeto Radar, da SCML, está a revelar-se uma tábua de salvação para muitos idosos da cidade de Lisboa em isolamento.
2 de Abril de 2020 às 10:01
SCML assegura 642 refeições diárias a pessoas na condição de sem-abrigo
SCML assegura 642 refeições diárias a pessoas na condição de sem-abrigo
SCML assegura 642 refeições diárias a pessoas na condição de sem-abrigo

Arrancou com o objetivo de conhecer as características da população da cidade de Lisboa com mais de 65 anos e articular as suas necessidades específicas com diversas entidades de apoio social e parceiros mas, em tempos de pandemia, o Projeto Radar, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, está a revelar-se uma verdadeira tábua de salvação para muitos idosos da cidade em isolamento.

Depois de ter conseguido alcançar 30 mil pessoas (cerca de um quarto da população com mais de 65 anos da capital) no final do ano passado, o Projeto Radar estava pronto para outros voos, mas conheceu agora uma nova e inesperada dimensão, potenciada pelo decretado estado de emergência.

"Na fase inicial desta crise, a nossa prioridade foi contactar telefonicamente as pessoas sinalizadas pelo Projeto Radar, com o intuito de garantir, através plataforma que nos articula com os nossos parceiros (PSP, ARS, juntas de freguesia) as necessidade básicas destas pessoas, como a medicação, as refeições ou a compra de bens de primeira necessidade", lembra Mário Rui André, responsável pela unidade Missão da SCML para o Programa Lisboa, Cidade de Todas as Idades.

A agudização da crise e o prolongamento por tempo indeterminado do período de quarentena trouxe à tona o agravamento das situações de isolamento e fez soar os alarmes na SCML. "Percebemos que tínhamos de arranjar também respostas do ponto de vista emocional. Muitos destes seniores da nossa cidade já viviam em situações de isolamento antes desta crise sanitária. As suas interações sociais resumiam-se a uma ida ao café, meia dúzia de palavras trocadas com a vizinhança quando saíam à rua, uma ou outra visita dos filhos ou dos netos. Com a pandemia, tudo isto deixou de acontecer. Percebemos que a maioria destas pessoas falavam unicamente uma vez por dia com os nossos e que estavam a acusar sinais de maior fragilidade emocional e psicológica por causa da atual situação", explica Mário Rui André.

Por isso, os 28 jovens entrevistados que no início deste projeto, há pouco mais de um ano eram os entrevistadores da SCML e iam de bairro em bairro, de porta em porta, à procura destas pessoas para auscultar as condições em que viviam, transformaram-se agora em ouvintes a tempo inteiro e, muitas vezes, na única voz do outro lado da linha telefónica para combater a solidão destes dias amargos.

"Fizemos uma espécie de ‘webinar’ para dar alguma s estratégias e apoiar os nossos técnicos", explicou Mário Rui André, acrescentando que está a ser tentada a hipótese de "tornar este contacto também visual, via skype".

O mais importante de tudo foi a mudança de enfoque: "passámos de um paradigma quantitativo para um paradigma qualitativo, que deve ser alvo de uma profunda reflexão, pois a saúde mental é um dos grandes desafios da longevidade", conclui.

Conselhos para quem vai estar (ainda mais) isolado

O distanciamento social é a arma mais eficaz para combater a propagação do vírus mas deixa à mercê da solidão milhares de idosos que já antes viviam num cenário de isolamento. Seniores a quem tenha sido diagnosticado o Covid-19 mas que não apresentem sintomas (ou no caso destes serem muito leves) ou pessoas que tenham estado em contacto com doentes, terão de fazer isolamento nas suas próprias casas.

No seu site oficial, a DGS apresenta alguns conselhos importantes para a população sénior em isolamento, a começar pela necessidade de seguir à risca as indicações médicas.

"Deve permanecer numa divisão própria e evitar contacto com outros em espaços comuns. Não partilhe pratos, copos, utensílios de cozinha, toalhas, lençóis ou outros artigos pessoais. Use sempre um lenço de papel e descarte-o logo de seguida, Meça a temperatura regularmente e esteja atento a qualquer alteração dos sintomas, mesmo que não lhe pareçam graves. Não convide pessoas para sua casa. Caso seja urgente falar com alguém, faça-o por telefone.", lê-se nas recomendações.

Em período de isolamento, as necessidades básicas também têm de ser garantidas. "Assegure-se que pede ajuda e fala sobre o que precisa para se sentir seguro e confortável – medicamentos, compras, produtos de higiene pessoal ou meios tecnológicos para continuar a comunicar", diz a DGS.

"Fale sobre o que está a viver e a sentir"

Para que esta crise sanitária possa ter um final feliz, é preciso não descurar a parte emocional de quem está em isolamento. Por isso a DGS aconselha: fale sobre a sua experiência e sobre o que está a viver e a sentir com os seus familiares, amigos ou profissionais de saúde (SNS 24), sobretudo se sentir cansaço extremo, dificuldade em comer, dormir ou realizar as atividades do dia-a-dia ou desejo de consumir álcool para lidar com a situação.

"Depois da experiência de isolamento podemos sentir um misto de emoções - tristeza, raiva, alívio - e ter dificuldade em conectarmo-nos com familiares ou amigos, sobretudo aqueles que revelaram receio de contrair a doença por terem contacto connosco. Partilhe informação sobre a doença e o risco para os outros, de modo a acalmar possíveis medos e facilitar esse relacionamento", frisa a DGS.

Como ajudar os seniores

Há que proteger quem sempre nos protegeu e quem agora está menos protegido. Sempre que possível, cuide dos mais velhos da sua família ou comunidade: "faça-lhes as compras, ajude nas necessidades básicas e de afeto, proteja-se a si e aos outros", aconselha a DGS na sua nova campanha, já disponível no Youtube.

E se os medicamentos acabarem? Os idosos, sobretudo os que têm problemas de saúde crónicos, devem manter a sua medicação habitual. Caso esta acabe, será preciso contactar o médico assistente. As prescrições chegam por sms.

Como ir ao médico? Agora mais do que nunca o contacto telefónico com o centro de saúde é muito importante. "Com as limitações de circulação decorrentes da pandemia que nos está a atingir, os médicos de família podem atender telefonemas e responder às dúvidas dos seus doentes", garante a DGS.

E caso haja sintomas? O SNS24 é o contacto ideal para os casos suspeitos de COVID- -19 porque encaminha os doentes para o local mais adequado. Este é o contacto mais importante e organizado. Os centros de saúde estão preparadas para ajudar os seus doentes e usar o telefone é o meio mais correto para contactar com o médico de família nestes dias difíceis. 

Apoio para todos os que estão mais vulneráveis

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) não reforçou apenas o apoio aos idosos de acordo com o atual contexto de pandemia mas também à população em situação de sem- -abrigo, que constitui uma franja social igualmente vulnerável nas atuais circunstâncias.

Neste campo, a Santa Casa disponibilizou a Casa do Lago, em São Domingos de Benfica, com capacidade para acolher 20 pessoas que viviam na rua. A este equipamento junta-se ao pavilhão do Casal Vistoso, com capacidade para mais 40 pessoas e que funciona diariamente entre as 9h00 e as 18h00, e o pavilhão da Tapadinha, em Alcântara, disponibilizado pelo Atlético Clube de Portugal, também com capacidade para 40 pessoas. A trabalhar nestes espaços com os serviços da CML estão a SCML e a Cruz Vermelha Portuguesa.