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Prémios Neurociências

Santa Casa da Misericórdia de Lisboa atribuiu bolsas de mérito a projetos de investigação na área das neurociências
16 de Dezembro de 2021 às 16:21
Maria José Diógenes Nogueira na Faculdade de Medicina de Lisboa
António Salgado venceu
Daniela Pimenta Silva
Maria José Diógenes Nogueira na Faculdade de Medicina de Lisboa
António Salgado venceu
Daniela Pimenta Silva
Maria José Diógenes Nogueira na Faculdade de Medicina de Lisboa
António Salgado venceu
Daniela Pimenta Silva

Pelo nono ano consecutivo, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) atribuiu bolsas de mérito aos mais promissores projetos de investigação científica e médica desenvolvidos em Portugal na área das neurociências. Com os prémios Mantero Belard e Melo e Castro (cada um no valor de 200 mil euros) e com o Prémio João Lobo Antunes (40 mil euros), a SCML promove o avanço científico e a busca de tratamentos inovadores para as doenças neurodegenerativas e lesões vertebromedular

Maria José Diógenes e a sua equipa conquistaram pela segunda vez o Prémio Mantero Belard, com a investigação de um novo composto que "atua num mecanismo neuroprotetor que está destruído no cérebro dos doentes com doença de Alzheimer", conforme explicou ao CM.

– Qual o conceito desta investigação?
– Até ao momento, os medicamentos que existem disponíveis para o tratamento da doença de Alzheimer apenas minimizam os sintomas da doença. O novo composto previne essa destruição e devolve ao cérebro a protecção mediada pela neurotrofina BDNF. É importante salientar que o BDNF tem um papel fundamental na memória.

– Envolve uma grande equipa?
– Somos 16 investigadores com experiências diversas, desde médicos, farmacêuticos, peritos em quantificação analítica e biomarcadores, farmacologistas, neurocientistas; estatísticos, especialistas em análises clínicas e toxicológicas, peritos em química farmacêutica e especialistas em Biomateriais, Nanotecnologia e Medicina Regenerativa. Além de mim, integram-na Tiago Coelho; Carolina Borlido; Mafalda Manso; Sara Oliveira; Paulo Paixão; Nuno Silva; Rui Pinto; Gilberto Alves; Joana Loureiro; Maria do Carmo Pereira; Bruno Manadas; Alexandre de Mendonça; Margarida Diogo; Ruy Ribeiro; Kerensa Broersen.

– Em que fase está a pesquisa?
– Nos últimos anos, a nossa equipa dedicou-se a encontrar novos alvos terapêuticos para o tratamento. Tivemos sucesso, encontrámos um novo alvo terapêutico e desenvolvemos um novo composto. Iniciámos os primeiros ensaios pré-clínicos com sucesso.

– O que significa este prémio?
– Este prémio vai possibilitar o estudo profundo das características do composto (farmacocinética e toxicidade) por forma a escolhermos os esquemas terapêuticos corretos a fim de desenvolvermos estudos de eficácia completos tanto ‘in vivo’, em modelos animais, como ‘ex vivo’ em estruturas celulares compostas por células humanas (organoides). Vamos ainda investigar formas de monitorizar o efeito terapêutico para que seja possível ser feito o ajuste posológico doente a doente.

– Quando poderá estar disponível no mercado um fármaco?
– Estes processos são são longos e muito dispendiosos. Tudo depende dos resultados que vamos obter e do financiamento que formos capazes de atrair. Só com a conjugação de ambas as situações será possível avançarmos de forma célere.

Regenerar a espinal medula

A equipa liderada pelos investigadores António Salgado e Nuno Silva venceu pela terceira vez o Prémio Melo e Castro, com uma investigação pioneira sobre a possibilidade de minimizar o impacto das lesões da espinal medula através do secretoma das células estaminais.

"A espinal medula é um tecido muito frágil e sem capacidade de regeneração", lembra o investigador. Mas o futuro pode trazer uma esperança para quem sofreu uma lesão vertebromedular. "As células comunicam entre si, enviando informação sobre as funções a desempenhar. Todavia, os sinais induzidos pelas células estaminais são muito mais eficazes. Isolámos esses sinais para perceber que impacto teriam na regeneração dos tecidos e na recuperação de funções motoras e fisiológicas", conta o cientista da Universidade do Minho, que tem como parceiro nesta investigação o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, entre outros.

De acordo com António Salgado, os testes já realizados em ratinhos foram "muito bem sucedidos". "Pode ainda demorar alguns anos para surgir uma estratégia clínica, mas quando surgir, irá melhorar significativamente a qualidade de vida destas pessoas", acredita.

Nova fisioterapia virtual

Um ensaio clínico que pretende avaliar um ‘software’ de Realidade Virtual Imersiva como ferramenta para a reabilitação de doentes com Doença de Parkinson é o projeto pelo qual a investigadora Daniela Pimenta Silva, foi distinguida com o Prémio João Lobo Antunes da SCML. O projeto foi submetido pelo Laboratório de Farmacologia Clínica e Terapêutica da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e conta com a colaboração do Serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria e do CNS-Campus Neurológico, sob a orientação do Professor Doutor Joaquim Ferreira.

"A realidade virtual tem tido cada vez mais interesse na comunidade científica pelo potencial de aumentar a adesão adesão aos programas de fisioterapia convencionais, sendo a falta de motivação um dos factores para esta falta de adesão. Assim, o nosso objetivo é perceber se a Realidade Virtual Imersiva com recurso a óculos de Realidade Virtual proporciona uma melhoria nos parâmetros da marcha e equilíbrio, e se é fácil e segura para ser usada por doentes com Doença de Parkinson", explica a investigadora.

O Prémio João Lobo Antunes irá permitir a aquisição dos óculos de Realidade Virtual e outros recursos necessários.

Por Boas Causas