Barra Cofina

Correio da Manhã

Especiais C-Studio
9
Especiais C-Studio
i
C- Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do Universo
É o local onde as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Convulsão febril

Motivo de grande stress para pais e cuidadores, mas que na grande maioria dos casos são simples, benignas, não deixam sequelas e desaparecem antes dos 6 anos de idade
13 de Março de 2020 às 07:02


Redigido por Dr. Eduardo Ribeiro (OM34135), pediatra no Trofa Saúde Hospital na Amadora




O que é?
É uma contração involuntária dos membros, com movimentos repetitivos dos braços e das pernas, rigidez do corpo, com perda de consciência que surge numa criança saudável, entre os 6 meses e os 5 anos de idade, no início de uma doença febril. São normalmente breves e frequentemente param sem qualquer intervenção.

É frequente? Porque acontece?
Cerca de 3 a 4 em cada 100 crianças entre os 6 meses e os 5 anos de idade têm convulsões acompanhadas de febre. Acontecem por uma tendência familiar, idade mais jovem da criança e subida rápida da temperatura num cérebro imaturo. O sistema nervoso central da criança pequena é mais vulnerável a uma subida rápida da temperatura, existe uma maior excitabilidade, pelo que podem mais facilmente iniciar uma ativação excessiva e sincronizada de um circuito de neurónios.

Como são as crises?
Na maioria dos casos a criança perde os sentidos, revira os olhos, fica com o corpo contraído e logo a seguir os braços e as pernas começam a tremer. Depois de alguns segundos a minutos, os movimentos param, o corpo fica mole e a criança adormece e acorda bem. Durante a crise pode ficar com os lábios roxos, espumar pela boca ou urinar.

Quando devo ir ao hospital?
Na primeira convulsão febril deve sempre dirigir-se a um Serviço de Urgência para uma avaliação cuidadosa da situação. Habitualmente fica em observação durante algumas horas. Se não for a primeira convulsão, e se a criança acordar bem, pode não ser preciso recorrer à urgência hospitalar, mas deve consultar o seu médico para averiguar e tratar a causa da febre.

É necessário fazer exames?
Na maioria dos casos não é necessário fazer exames. O aspeto mais importante é a investigação da causa da febre, particularmente se existirem sinais clínicos que possam sugerir infeções do sistema nervoso central (meningites/encefalites).

Pode voltar a ter convulsões quando tiver febre?
Sim, cerca de 1/3 das crianças voltam a ter uma ou mais crises com febre, mas é impossível de prever quando ou em que crianças.

O que devo fazer para evitar as crises?
Apesar do risco de recorrência, o uso de medicamentos antiepiléticos não está recomendado em crianças com convulsões febris. Não está também provado que a utilização de medicamentos para a febre reduza a probabilidade de desenvolver convulsões febris.

O meu filho pode ficar com epilepsia?
Este risco não é muito maior do que o risco da população em geral. Cerca de 1 a 2% das crianças que começam com convulsões febris mais tarde têm epilepsia, ou seja, começam a ter convulsões sem febre. A evolução futura para epilepsia é mais frequente em crianças com atraso do desenvolvimento, história familiar de epilepsia ou crises febris complexas.

O que fazer?
• Não entrar em pânico;
• Anotar as horas em que começou e terminou;
• Não colocar nada na boca da criança (não haverá nenhum problema com a língua);
• Deite a criança de lado, num local seguro onde ela não se possa magoar;
• Despir a criança e reduzir a temperatura ambiente;
• Baixe a temperatura com os antipiréticos normais que usa para a febre e segundo as recomendações do seu pediatra ou panos de água tépida colocados no corpo despido;
• Se não for a primeira convulsão, os pais já devem ter em casa uns clisteres com um medicamento que se utiliza para parar a convulsão;
• Se for o primeiro episódio deve ser avaliada de imediato num Serviço de Urgência;
• No caso de ser um segundo episódio, entre em contacto com o pediatra da criança e descreva-lhe tudo o que viu.

Após a crise, a criança fica sonolenta e confusa. Não a perturbe, fique a vigiá-la até que recupere totalmente.

Adaptado e referências: Monteiro, J. (2017). Sociedade Portuguesa de Neuropediatria. Convulsão febril. Acedido em 14 de fevereiro 2020 em: https://neuropediatria.pt/…/…/para-os-pais/convulsoes-febris
American Academy of Pediatrics. (2011). Clinical Practice Guideline – Febrile Seizures: Guideline for the Neurodiagnostic Evaluation of the Child with a Simple Febrile Seizure. Pediatrics. Vol. 127,2. Acedido em 14 de fevereiro 2020 em: https://pediatrics.aappublications.org/content/pediatrics/127/2/389.full.pdf