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Autocarros entram em Alepo para recomeçar evacuação

Medida tinha sido suspensa na sexta-feira.
Lusa 18 de Dezembro de 2016 às 11:06
Autocarro destacado para auxiliar na retirada de civis de Alepo
Autocarro destacado para auxiliar na retirada de civis de Alepo FOTO: Reuters

Autocarros começaram este domingo a entrar no reduto rebelde da cidade síria de Alepo com vista ao recomeço da evacuação suspensa desde sexta-feira, noticia a agência oficial síria Sana.

"Os autocarros começaram a entrar nos bairros de Zabdiyé, Salaheddine, al-Machad e al-Ansari no leste de Alepo, sob a supervisão do Crescente Vermelho e do Comité Internacional da Cruz Vermelha para fazer sair quem falta dos terroristas e das suas famílias", noticiou a agência.

O regime sírio utiliza o termo "terroristas" para designar os rebeldes.

A AFP escreve que o desespero se apodera hoje de milhares de civis esfomeados no reduto cercado, cuja evacuação foi adiada devido a desentendimentos sobre o destino de outras zonas cercadas.

Um correspondente da agência francesa que visitou um hospital no setor rebelde descreveu as condições chocantes em que os pacientes se encontram, deitados no chão, sem comida nem água e quase sem aquecimento, apesar de temperaturas que descem abaixo de zero durante a noite.

Milhares de civis e rebeldes tinham começado a sair de Alepo na quinta-feira ao abrigo de um acordo que dava controlo total da cidade ao Governo, ao fim de anos de combates.

No entanto, a operação foi suspensa na sexta-feira, com as duas partes a culparem-se mutuamente.

O principal obstáculo à retomada das operações é a divergência sobre o número de pessoas a serem evacuadas em paralelo de duas aldeias xiitas, Fua e Kafraya, sob cerco rebelde no noroeste da Síria.

Ao abrigo de um acordo entre a Turquia, que apoia os rebeldes, e os aliados da Síria, a Rússia e o Irão, as evacuações das duas aldeias seriam realizadas ao mesmo tempo do que a de Alepo.

Mas subsistem diferenças sobre o número de pessoas a retirar daquelas localidades - os rebeldes aceitaram 1.500, mas o Irão quer que saiam 4.000.

Um representante dos rebeldes disse hoje à AFP que foi alcançado um novo acordo, segundo o qual as evacuações serão realizadas em duas fases.

"Numa primeira fase, metade das pessoas cercadas em Alepo serão retiradas, em paralelo com a evacuação de 1.250 pessoas de Fua", disse o representante, que pediu anonimato.

Segundo a ONU, cerca de 40 mil civis e rebeldes estão sitiados no setor rebelde de Alepo.

"Num segundo passo, 1.250 pessoas de Kafraya serão retiradas em paralelo com a saída das restantes pessoas de Alepo," disse um representante rebelde.

Outras 1.500 pessoas serão depois retiradas de Fua e Kafraya, ao mesmo tempo que o mesmo número de pessoas de Zabadani e Madaya, duas cidades rebeldes cercadas pelo regime na província de Damasco.

O Conselho de Segurança da ONU deverá reunir-se às 16:00 GMT (hora de Lisboa) em Nova Iorque para votar as propostas francesas de enviar observadores para supervisionar as evacuações e relatar a proteção de civis.

No texto preliminar pode ler-se que o conselho está "alarmado" pelo agravamento da situação humanitária em Alepo e pelo facto de "dezenas de milhares de habitantes cercados" precisarem de ajuda e de serem retirados da cidade.

"O nosso objetivo, com esta resolução, é evitar outra Srebrenica nesta fase que se segue às operações militares", disse o embaixador francês Francois Delattre à AFP, referindo-se ao massacre de 1995 na Bósnia.

Mas a proposta poderá ser vetada pela Rússia, um apoiante chave do presidente sírio Bashar al-Assad.

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