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Bolsonaro manda apoiantes invadirem hospitais para "mostrar" que o coronavírus é uma farsa

Presidente brasileiro incentivou simpatizantes a fotografarem e filmarem o interior das unidades de saúde.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 12 de Junho de 2020 às 16:28
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro FOTO: Reuters

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, negacionista convicto da pandemia de Coronavírus, pediu aos seus apoiantes de todo o Brasil para invadirem hospitais públicos e de campanha e mostrarem ao país que ele está certo quando diz que a Covid-19 é uma farsa.

Indiferente ao elevado risco de contaminação que os seus seguidores que atenderem ao apelo podem correr e aos transtornos que invasões em massa podem provocar a pacientes e equipas de saúde, Bolsonaro incentivou simpatizantes a fotografarem e filmarem o interior das unidades de saúde para, segundo ele, mostrarem que estão muito mais vazias do que a imprensa diz e que não há pessoas em estado tão grave como se propala.

"Seria bom vocês fazerem isso (as invasões a hospitais públicos). Na ponta da linha, se há um hospital de campanha perto de vocês, se tem um hospital público... Arranjem uma maneira de entrar e filmar. Muita gente tem feito isso, mas mais gente tem de fazer para mostrar se as camas estão ocupadas ou não. Se os gastos são compatíveis ou não. Isso ajuda."- Pediu Jair Bolsonaro na sua habitual live (transmissão ao vivo pela internet) das noites de quinta-feira.

Ele afirmou que, como costuma fazer em outros casos, tudo o que lhe enviarem pelas redes sociais será remetido, entre outras instituições, para a ABIN, Agência Brasileira de Inteligência, os serviços secretos do país. Ele não mostrou qualquer prova de que hospitais públicos estejam vazios e que a Covid-19 não tenha a gravidade afirmada por médicos e cientistas, nem por que enviará os dados recebidos de cidadãos para os serviços secretos, que têm como função principal recolher dados que permitam prevenir eventuais riscos à segurança nacional.

Na mesma live, e repetindo o discurso que mantém desde o início da pandemia, que chegou a classificar como uma fantasia inventada pela imprensa ou, no máximo, uma gripezinha, Bolsonaro acusou governadores de estado e autarcas de estarem a exagerar os números do Coronavírus de propósito, tanto para conseguirem mais verbas do governo central como para atingirem negativamente o seu governo para tentar derrubá-lo do cargo. Dias atrás, por ordem de Bolsonaro, o Ministério da Saúde deixou de divulgar a maior parte dos dados relativos à Covid-19 e anunciou uma recontagem dos mortos pela doença, chegando a fazer desaparecer num só dia 857 vítimas fatais, mas foi obrigado pelo Supremo Tribunal a voltar atrás e informar diariamente os novos números da pandemia.

Mesmo antes do apelo público de Bolsonaro, deputados bolsonaristas de São Paulo e do Rio de Janeiro já protagonizaram tumultuados episódios de invasão a hospitais destinados ao combate ao Coronavírus, também com o intento de supostamente provarem que as unidades estão vazias e que o apregoado colapso do sistema público de saúde é uma farsa inventada pelos inimigos do presidente. Em São Gonçalo, na área metropolitana do Rio de Janeiro, um deputado bolsonarista pulou o muro de um hospital de campanha que só ia ser inaugurado no dia seguinte e filmou as camas vazias, e em São Paulo militares eleitos deputados regionais com o apoio de Jair Bolsonaro também invadiram um hospital de campanha, o do Anhembi, onde há centenas de doentes internados, mas filmaram apenas uma ala ainda em construcção, "provando" assim as denúncias do chefe de Estado.

De acordo com um consórcio formado pelos principais veículos da imprensa brasileira, que criaram um portal de acompanhamento da Covid-19 por os dados fornecidos pelo governo não serem confiáveis, o Brasil tinha na noite de quinta-feira 805 mil infetados com Coronavírus. O número de mortes pela doença no país, ainda segundo a mesma fonte, já era nessa altura de mais de 41 mil, colocando o Brasil na terceira posição no mundo em relação a vítimas fatais da doença, só atrás dos EUA e do Reino Unido, e na segunda colocação em relação ao número de infetados, atrás apenas dos EUA.

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