Barra Cofina

Correio da Manhã

Cm ao Minuto
7

EDP constituída arguida no processo do fogo de Monchique de 2018

Chamas consumiram mais de 27 mil hectares de floresta e de terrenos agrícolas. 74 casas ficaram destruídas.
Lusa 17 de Fevereiro de 2020 às 15:39
Incêndio de 2018 em Monchique destruiu 27 mil hectares da serra
EDP
Incêndio de 2018 em Monchique destruiu 27 mil hectares da serra
EDP
Incêndio de 2018 em Monchique destruiu 27 mil hectares da serra
EDP
A EDP Distribuição e um colaborador foram constituídos arguidos no âmbito do processo relativo ao incêndio de 2018 em Monchique, no Algarve, anunciou esta segunda-feira a empresa, manifestando-se convicta de que o fogo não teve origem na rede elétrica.

"Com base nas evidências disponíveis, a EDP Distribuição está convicta de que a origem do incêndio não esteve na rede elétrica, tendo em conta que o ponto de ignição, identificado pela Autoridade Nacional [de Emergência e] de Proteção Civil, não tem nenhuma linha elétrica nas suas proximidades", afirma a empresa, numa nota enviada à agência Lusa.

Este incêndio deflagrou no dia 03 de agosto de 2018 na zona da Perna Negra, na serra de Monchique (distrito de Faro), e foi o maior registado em 2018 em Portugal e na Europa, tendo sido dominado apenas ao oitavo dia, na manhã de 10 de agosto.

Foram consumidos mais de 27.000 hectares de floresta e de terrenos agrícolas. No total, o fogo destruiu 74 casas, 30 das quais de primeira habitação.

A EDP sublinha, na mesma informação, que o relatório elaborado pelo Observatório Técnico Independente, nomeado pela Assembleia da República para análise, acompanhamento e avaliação dos incêndios florestais, "reiterava que a origem do fogo em causa era 'desconhecida'".

"A empresa mantém-se disponível, como até aqui, para facultar todas as informações solicitadas, de forma a auxiliar as entidades competentes na reconstituição dos factos relevantes e no apuramento das causas que conduziram a este incêndio", acrescenta.

O incêndio provocou também danos significativos no concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão, no distrito de Faro, e de Odemira, no distrito de Beja.

As chamas, combatidas por mais de mil operacionais, com a ajuda de helicópteros e outros meios aéreos espanhóis, obrigaram à evacuação de pelo menos três unidades hoteleiras e provocaram 41 feridos, 22 dos quais bombeiros, a maioria devido a inalação de fumos.

"A empresa, no âmbito das suas obrigações legais, irá continuar o seu trabalho diário de gestão da vegetação na rede elétrica, colaborando com a sociedade e as autoridades na prevenção do flagelo dos incêndios, cuja frequência é propiciada pelas alterações climáticas", refere a EDP Distribuição.

No âmbito do processo relativo ao incêndio de 2017 em Pedrógão Grande, o Tribunal de Leiria decidiu levar a julgamento dois colaboradores da EDP: o subdiretor da área comercial da EDP, José Geria, e o subdiretor da área de manutenção do Centro da empresa, Casimiro Pedro.

Cada um está acusado de 63 crimes de homicídio por negligência e 44 crimes de ofensa à integridade física por negligência, 12 dos quais graves.

A este propósito, a empresa considerou que a acusação "não tem fundamento", sublinhando que a mesma se restringe "unicamente à alegada falta de limpeza da vegetação junto às linhas elétricas".

O incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande (distrito de Leiria), e que alastrou depois a concelhos vizinhos, provocou 66 mortos e 253 feridos, sete deles com gravidade, tendo destruído cerca de 500 casas, 261 das quais habitações permanentes, e 50 empresas.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)