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BES admirado com decisão do Banco de Portugal

José Manuel Espírito Santo Silva diz que resoluçãodo Banco de Portugal não seria a sua solução.
Lusa 16 de Dezembro de 2014 às 16:43
José Espírito Santo Silva na audiência na Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo
José Espírito Santo Silva na audiência na Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo FOTO: Jorge Paula

O antigo administrador do Banco Espírito Santo (BES), José Manuel Espírito Santo Silva, considerou esta terça-feira que Ricardo Salgado, líder histórico do banco, tinha uma liderança centralizada, mas que não havia uma ditadura ao nível da gestão da instituição.

"O dr. Salgado tinha tendência para uma liderança bastante centralizada. Todos nós concordávamos e apoiávamos. Tudo o que se fazia dentro da instituição, e nós sabíamos, estava certo. Foi aprovado pelos acionistas, pelos reguladores, pelos auditores e pelos clientes", afirmou.

Questionado sobre se havia uma ditadura no BES em termos de liderança, o responsável afastou essa ideia.

O antigo administrador do BES confirmou ainda que recebeu uma comissão "extraordinária" de um milhão de euros, paga pela Escom, devido ao envolvimento do GES no negócio da compra dos submarinos pelo Estado português.

"Confirmo que recebi. Foi uma remuneração extraordinária aos membros do Conselho Superior", afirmou o responsável na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES.

"O que eu me lembro é que foi a Escom que pagou essa comissão e que nós a recebemos a título de trabalho extraordinário", especificou.

Barroso e Moedas pediram que se salvasse GES

O ex-administrador do BES José Manuel Espírito Santo disse que dos contactos com Durão Barroso e Carlos Moedas não surgiram "conselhos específicos" mas houve de ambos a recomendação de que se tentasse salvar o GES "por todos os meios".

Falando na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES, José Manuel Espírito Santo diz que foram procurados conselhos de pessoas tidas como importantes, casos do ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do então secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, e atual comissário europeu, Carlos Moedas.

"Falar com o dr. Durão Barroso ou o engenheiro Moedas não é uma conversa inútil. Ouvir os seus conselhos é bom. Mas podem não ter resultado para este fim", admitiu o ex-administrador, que está a ser ouvido pelos deputados desde as 15:00 e que pelas 18:00 ainda respondia ao primeiro bloco de perguntas.

Decisão do Banco de Portugal

O ex-administrador do BES admitiu ainda que sentiu "estupefação" ao conhecer a decisão do Banco de Portugal de aplicar uma medida de resolução sobre o banco, dividindo-o em duas entidades.

"A resolução não seria a minha solução. Entendi com estupefação", afirmou o responsável perante as questões que lhe iam sendo colocadas sobre a matéria pelos deputados na comissão parlamentar de inquérito ao caso Banco Espírito Santo (BES)/Grupo Espírito Santo (GES).

E reforçou: "Acho que não é um critério bom. Eu nunca teria tomado esta decisão. Mas manda quem pode e obedece quem deve".

ricardo salgado BES
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