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Jornalista ouvido pela procuradoria de Maputo por alegada violação de segredo de Estado

Matias Guente, editor do 'Canal de Moçambique', foi questionado por textos publicados no semanário sobre violência armada em Cabo Delgado.
Lusa 10 de Julho de 2020 às 18:42
População da província moçambicana de Cabo Delgado tem sido alvo de vários ataques terroristas
População da província moçambicana de Cabo Delgado tem sido alvo de vários ataques terroristas FOTO: Reuters
Matias Guente, editor do semanário 'Canal de Moçambique', foi esta sexta-feira ouvido na procuradoria de Maputo, no âmbito de um processo em que é arguido por alegada violação de segredo de Estado em textos sobre violência armada em Cabo Delgado.

Fonte ligada ao processo disse à Lusa que o magistrado titular do caso interrogou Matias Guente sobre a fonte e as motivações por trás de textos que o semanário escreveu em março deste ano, sobre contratos assinados em fevereiro de 2019 entre o Governo moçambicano e a petrolífera norte-americana Anadarko.

Os contratos, que o 'Canal de Moçambique' designou em título como "negócios da guerra", visavam proteger a construção dos projetos de gás natural na bacia do Rovuma, província de Cabo Delgado, de ataques armados que assolam a região.

O magistrado quis também saber de Matias Guente o que levou o jornal a escrever sobre contratos que levavam o carimbo "confidencial" na capa. A audição durou cerca de três horas e o jornalista estava acompanhado pelo seu advogado, e também jornalista, Ericino de Salema.

À saída da audição, tanto Ericino de Salema como Matias Guente não prestaram declarações à comunicação social pelo facto de o processo ainda se encontrar em segredo de justiça.

Em declarações à Lusa em Junho, Matias Guente manifestou-se "preocupado, mas não assustado" com o processo judicial, defendendo que o 'Canal de Moçambique' agiu dentro da lei.

"Isto deixa-nos preocupados, mas não estamos assustados. Estamos certos de que tudo foi feito dentro das nossas atribuições, como órgão de informação", observou Matias Guente.

No mesmo processo é também arguido o diretor do jornal, Fernando Veloso, mas o jornalista ainda não foi ouvido por se encontrar em Portugal para tratamento médico.

Cabo Delgado, província onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, está sob ataque desde outubro de 2017 por insurgentes, classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas e internacionais como uma ameaça terrorista.

A violência causou a morte de, pelo menos, 700 pessoas e uma crise humanitária que afeta 250.000 pessoas.

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