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Correio da Manhã

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Pescadores destacam qualidade da sardinha

Trabalhadores satisfeitos com primeira safra do ano.
Lusa 2 de Maio de 2016 às 11:30
Sardinhas
Sardinhas FOTO: Pedro Noel da Luz

Os pescadores da arte do cerco da sardinha mostraram-se esta segunda-feira satisfeitos com a quantidade e qualidade do pescado obtido na primeira safra deste ano.

Depois de um período de paragem, que variou entre os sete a nove meses, para reposição dos 'stocks' da espécie, os pescadores da sardinha puderam voltar ao mar no domingo à noite. E, no regresso à lota, trouxeram os barcos cheios.

"A campanha de hoje correu bem, trouxemos muita sardinha e ficou ainda muito mais no mar. Vamos ver o que futuro nos reserva", contou à Lusa Fernando Santos, mestre da embarcação Orlando Eugénio, enquanto descarregava no porto de pesca de Matosinhos.

Os pescadores têm disponível para gerir, até 31 de julho, uma quota de sardinha a rondar as 6.900 toneladas, algo que na opinião de Fernando Santos é "demasiado curto".

"Sempre defendemos que há muita sardinha no mar. Já no tempo dos meus avós era assim e vai continuar a ser. Esta é uma quota muito curta. Era preciso pelo menos 12 mil nesta primeira fase, e, depois, se chegássemos às 19 mil toneladas, já valeria a pena", desabafou.

Pescadores lembram meses de sacrifício
O mestre lembrou que para trás "ficaram meses de sacrifício, durante a paragem", garantindo que "são muitas famílias a viver do salário mínimo dado pelos apoios".

Opinião semelhante partilhou Celestino Alexandre, mestre da embarcação Belo Horizonte, a quem a campanha da noite de domingo não foi tão profícua.

"Trouxemos menos do que estávamos à espera, porque apanhamos uma mistura de biqueirão com sardinha, mas apesar não ser grande quantidade, tomará que amanhã possa dar o mesmo", começou por dizer.

O mestre referiu que "com tantos meses de paragem não há quem sobreviva com estas condições". "É por isso que os rapazes novos não querem ir para o mar", disse.

"Esta vida de incerteza para quem tem de pagar casa ou carro é muito complicada", completou Celestino Alexandre, enquanto carregava os seus cabazes para serem vendidos na lota.

Cabazes vendidos entre os 20 e os 22 euros
Hoje, de manhã, em Matosinhos, cada cabaz (com cerca de 22 quilogramas), estava ser vendido entre os 20 e os 22 euros, preço que na opinião de Manuel Postiga, da embarcação Mar Cáspio, ainda é um valor muito baixo.

"Só podemos vender 166 cabazes por dia, mas repare que com 25 homens a bordo não é com isso que nos podemos governar num mês", afirmou o mestre, lembrando que, neste período, a pesca da sardinha é apenas permitida quatro dias por semana.

Ainda assim, Manuel Postiga mostrou-se satisfeito com a qualidade e quantidade da safra que conseguiu nesta primeira noite

"Estávamos à espera disso porque no ano passado deixamos muita sardinha no mar. Hoje até encontrámos peixe mais pequeno, que deixámos para trás, e fomos à procura de sardinha maior e de qualidade. Correu bem. Creio que de modo geral toda gente que saiu para a faina pescou sardinha", partilhou o mestre à Lusa.

Quanto ao futuro, Manuel Postiga não se mostrou muito otimista, sobretudo se Bruxelas continuar a impor quotas muito curtas face às pretensões dos pescadores.

"Temos muita experiência do mar e sabíamos que havia sardinha. Temos visto muito peixe pequeno que ainda se vai desenvolver. Mas são muitos meses de sacrifício. Qualquer empresa, seja de ramo for, se trabalhar como nós, apenas cinco meses por ano, e parasse sete, não conseguia sobreviver", desabafou.

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