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Relação confirma 4 anos de prisão para jovem que matou pai a tiro em Vila Verde

Mãe do arguido emigrou para fugir às agressões do marido, acabando por regressar porque este ameaçou matar os seus pais.
Lusa 18 de Setembro de 2020 às 10:48
Tribunal
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O Tribunal da Relação de Guimarães confirmou a condenação a quatro anos e um mês de prisão efetiva de um jovem que matou o pai a tiro em Vila Verde, em 2017, anunciou esta sexta-feira a Procuradoria-Geral Distrital do Porto.

Em nota publicada na sua página, a procuradoria refere que o tribunal deu como provado que o homicídio aconteceu "como corolário de uma vivência em que a vítima, desde o início do casamento e quase diariamente, durante mais de 20 anos, agredia física e verbalmente a mulher e, mais tarde, também o arguido e uma sua irmã".

Acrescenta que, neste contexto de violência doméstica, a mãe do arguido emigrou para fugir às agressões do marido, acabando por regressar porque este ameaçou matar os seus pais.

Também o arguido chegou a ser expulso de casa pela vítima, por mais do que uma vez, a última das quais no dia em que cometeu o homicídio.

Os factos ocorreram em 23 de outubro de 2017, quando o arguido, de 22 anos, regressou a casa em Moure, em Vila Verde, no distrito de Braga, com o trator avariado, depois de ter estado a agricultar um campo, e foi verbalmente repreendido pelo pai, com insultos.

O arguido disse que foi a casa buscar uma arma para "assustar" o pai e que este, ao vê-lo, se baixou para pegar num ferro, dizendo que o ia matar.

"Ia assustá-lo, ele reagiu, calhei de carregar no gatilho e disparou", acrescentou.

Após o crime, a viúva da vítima e o filho colocaram o corpo num furgão, que acabaram por deixar abandonado num descampado em Palmeira, Braga.

O corpo só foi encontrado três dias depois do crime.

Entretanto, a mulher participara à GNR o alegado "desaparecimento" do marido, alegadamente para proteger o filho.

A mulher foi condenada a 490 euros de multa, por simulação de crime.

Em tribunal, a mulher deu conta de toda uma vida de maus-tratos desde que casou, em 1986.

"Um casamento sempre de levar, e os filhos igual", referiu.

Em relação ao tiro dado pelo filho, disse ter a certeza que ele "não queria fazer aquilo, mas, com o desespero, aconteceu".

"Um dia, um ou outro ia ter que morrer, ia ser um ou outro", afirmou.

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