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SOS Racismo demarca-se de atos de vandalismo e condena mensagens de ódio

Associação negou a "autoria moral das pinturas na estátua" do Padre António Vieira.
Lusa 13 de Junho de 2020 às 19:38
Estátua do Padre António Vieira vandalizada em Lisboa
Estátua do Padre António Vieira vandalizada em Lisboa
Estátua do Padre António Vieira vandalizada em Lisboa
Estátua do Padre António Vieira vandalizada em Lisboa
Estátua do Padre António Vieira vandalizada em Lisboa
Estátua do Padre António Vieira vandalizada em Lisboa
Estátua do Padre António Vieira vandalizada em Lisboa
Estátua do Padre António Vieira vandalizada em Lisboa
Estátua do Padre António Vieira vandalizada em Lisboa
O SOS Racismo negou a "autoria moral das pinturas na estátua" do Padre António Vieira e condenou as mensagens "xenófobas, racistas e de incitamento ao ódio" encontradas hoje em Lisboa, que considerou "uma ameaça à ordem constitucional".

Em comunicado enviado às redações, a organização de luta antirracista contextualizou os atos de vandalismo na estátua, realizados na quinta-feira, considerando surgiram "estranhamente" e "após uma manifestação histórica contra o racismo", referindo que "em vez de se discutir as demandas" desse mesmo protesto, no passado sábado, "voltou a reacender-se o debate sobre a memorialização da narrativa colonial".

"A este respeito, com a intenção deliberada ou omissa de atribuir a autoria moral das pinturas na estátua de Padre António Vieira ao SOS Racismo, alguma imprensa noticiou que a manifestação, em 2017, foi organizada pelo SOS Racismo e por um seu ativista, o que é falso. É público que essa iniciativa foi de um coletivo informal, denominado "Descolonizando", sem nenhuma ligação com a nossa organização", referiu a associação.

Sobre as mensagens encontradas hoje em escolas e centros de refugiados na área metropolitana de Lisboa, assim como numa pintura de homenagem a José Carvalho, assassinado pela extrema-direita, o SOS Racismo afirma que estas são de "incitamento ao ódio e à violência e uma ameaça à ordem constitucional" e ainda que "ferem todos os valores da dignidade humana".

"São dignas de preocupação e intervenção do Estado, por forma a garantir que, a pretexto de um debate sobre o legado histórico do colonialismo, não se permita nem banalização do racismo e da xenofobia, nem o incitamento do ódio e da violência", continua o documento.

A associação exigiu ainda que os autores materiais e morais das pinturas "sejam responsabilizados", manifestou a preocupação perante "o clima de intimidação e perseguição expressos" e repudiou "veementemente qualquer atitude de violência e de ódio na sociedade portuguesa".

No passado sábado, 06 de junho, milhares de pessoas juntaram-se em Lisboa e no Porto numa manifestação contra o racismo, sob o mote "Black Lives Matter" ("Vidas Negras Importam"), no seguimento dos protestos globais contra a morte de George Floyd às mãos da polícia.

Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.

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