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Correio da Manhã

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'Tsunami' de chamas chega a Silves

Vento forte dá noite difícil no combate às chamas. Muitos recusam-se a abandonar as casas e ficam a defendê-las.
Diana Santos Gomez e Rui Pando Gomes 9 de Agosto de 2018 às 01:30
Fogo em Silves não dá tréguas a civis e operacionais empenhados no combate
Fogo em Silves
Fogo ameaça casas em Silves
Fogo em Silves não dá tréguas a civis e operacionais empenhados no combate
Fogo descontrolado em Silves
Fogo em Silves não dá tréguas a civis e operacionais empenhados no combate
Fogo em Silves
Fogo ameaça casas em Silves
Fogo em Silves não dá tréguas a civis e operacionais empenhados no combate
Fogo descontrolado em Silves
Fogo em Silves não dá tréguas a civis e operacionais empenhados no combate
Fogo em Silves
Fogo ameaça casas em Silves
Fogo em Silves não dá tréguas a civis e operacionais empenhados no combate
Fogo descontrolado em Silves
De mangueira na mão, os moradores do Enxerim, às portas de Silves, regavam esta quarta-feira os telhados das casas e o terreno em torno das construções, enquanto o incêndio se aproximava. A GNR já tinha dado ordem de evacuação do local, mas muitos recusaram abandonar as casas.

Ao final da tarde, as chamas aproximaram-se dos lares. Algumas projeções entraram no perímetro urbano, mas esta batalha contra o fogo foi ganha.

Mas a guerra continuou e, à noite, a batalha da população e dos mais de 1300 operacionais no terreno centrava-se em Silves, com as chamas a ameaçarem a cidade. "Não nos espera um período fácil. A meteorologia, mais uma vez, sobretudo no que diz respeito ao vento, mantém-se bastante desfavorável", disse a 2ª comandante operacional da ANPC, Patrícia Gaspar, no briefing ao final do dia.

Depois de uma manhã em que o fogo parecia estar a dar tréguas, as chamas voltaram a lavrar no concelho de Silves, ameaçando aglomerados urbanos como Pedreira ou Cumeada e tantos outros, além de casas isoladas, sempre com grande violência. "Parecia um ‘tsunami’ de fogo", descreveu ao CM uma das muitas pessoas viram o incêndio próximo de casa. Alguns populares acusam a GNR de usar a força excessiva para os retirar das habitações.

Ao início da noite, com o incêndio a andar para Leste, a EN124 foi cortada entre Silves e S. Bartolomeu de Messines. E a ANPC apelou aos moradores para que se mantivessem em zonas seguras. Ao mesmo tempo, mantinha-se ativa, a Oeste de Monchique, uma segunda frente, na Foia. Até ontem estavam contabilizados 32 feridos – apenas um grave – e 182 pessoas deslocadas.

Mais de 53 milhões para meios aéreos
Onze milhões, quinhentos e cinquenta e cinco mil euros no aluguer de 28 helicópteros ligeiros; 1,435 milhões para dois aviões de coordenação e vigilância; 9,9 milhões para dois aviões anfíbios pesados; 11,716 milhões para quatro aviões anfíbios médios; 8,140 para outros quatro aviões anfíbios médios; 10,715 milhões para dez helicópteros ligeiros. No total são 53,4 milhões de euros que a Autoridade Nacional de Proteção Civil já gastou este ano só na contratação de meios aéreos.

Os contratos – quase todos feitos por ajuste direto depois de os concursos internacionais terem ‘rebentado’, uma vez que todos os concorrentes apresentaram valores acima do limite estipulado pelo Governo – são válidos por dois anos e, ao contrário do que acontecia até ao ano passado, preveem a sua disponibilidade ao longo de todo o ano.

Recorde-se que os seis Kamov do Estado estão todos inoperacionais por avaria ou falta de manutenção. Registe-se ainda que após as tragédias de 2017 o Governo e a ANPC manifestaram vontade de colocar nas mãos da Força Aérea a operação dos meios aéreos.

Mulher retira quatro idosos de casa    
No sítio da Nave, a 3 km de Monchique, Célia Gonçalves, 52 anos, retirou quatro idosos que se encontravam em casas ameaçadas pelas chamas. "Não apareceu ninguém para os levar e eles não tinham maneira de sair de casa", explicou ao CM a mulher, que transportou os idosos na própria viatura. Célia continua a ir ao local, diariamente, para alimentar os animais que ficaram, para que estes também sobrevivam.

Pai perdido no meio de fogo por duas vezes      
Ana Martins, de 44 anos, e a irmã viram o pai desaparecer por duas vezes no meio das chamas. O idoso recusou-se a abandonar a casa e mesmo depois de ser resgatado uma primeira vez voltou para salvar os animais.


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