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Correio da Manhã

Coronavírus

Professora de matemática relata como tem sido conciliar teletrabalho com telescola do filho

"Sala é a sala de controlo", afirma descrevendo o espaço cheio de computadores, tablets e telemóveis.
Vanessa Fidalgo 19 de Abril de 2020 às 01:30
Marta com o marido (Gil) e Dinis
Marta com o marido (Gil) e Dinis FOTO: Direitos Reservados

Marta Terras é professora de matemática e mãe do Dinis, de oito anos, com o qual está em isolamento em casa há um mês. "O meu marido é responsável de Manutenção Industrial, pelo que o teletrabalho na área dele é impossível. Cada vez que ele sai de casa para trabalhar, ficamos com o coração pequenino",diz ela.

Grande parte do dia é dedicado à escola. "Temos de nos organizar bastante. Tento iniciar o meu dia de trabalho bastante cedo. A primeira aula é por volta das 8h00. O Dinis vai fazendo os trabalhos que chegam por email. A nossa mesa da sala passou a ser uma ‘estação de controlo’. São computadores, tablets, telemóveis e afins, espalhados para que consigamos ter tudo o que necessitamos ao nosso alcance. Antes de iniciar as minhas aulas da tarde e a sessão de zoom do Dinis com a professora docente, tentamos deixar o máximo de tarefas realizadas", conta.

Dinis tem imensas saudades dos amigos da escola. A primeira aula de zoom foi com lágrima ao canto: "Diz: ‘Mamã, não gosto nada disto. Quando é que temos aulas ao vivo, perto da professora?’" Mas há grandes vantagens. "Descobrimos que somos quase autossustentáveis. Já fazemos pão, pães de leite, bolos de todo o tipo. Comida mexicana com tortilhas incluídas e, pela primeira vez em 13 anos, comemos peixe frito com arroz de tomate e feijão. Já usamos a varanda para as refeições e nunca conversámos tanto com os vizinhos pela janela como agora. Descobrimos quem mora nos prédios em redor e uma simples música à janela anima-nos a alma. Dançamos sem pudor".

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