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Correio da Manhã

Cultura

007, AGENTE SEM IDADE

O seu nome é Bond, James Bond. Tem a fleuma britânica, é sedutor e nunca deixa o charme por mãos alheias. Gosta de champanhe “Don Perignon”, de Martinis mexidos mas não batidos e de automóveis rápidos com muitos extras.
5 de Outubro de 2002 às 22:01
Foi precisamente há 40 anos que se estreou em Londres o filme que iria dar início à mais longa série (e uma das mais lucrativas) da história do cinema: “Agente Secreto 007” (''Dr. No''). Era o começo da estrondosa carreira do espião James Bond criado pelo jornalista e escritor britânico Ian Fleming.
Terence Young - que haveria de retomar a realização em mais duas aventuras - era o cineasta de serviço e o protagonista um jovem actor desconhecido na luta por um lugar ao sol: Sean Connery.

Embora à distância de 19 filmes tal possa parecer inacreditável, à data poucos adivinhariam que, ao serviço de Sua Majestade britânica, o agente Bond iria conquistar tudo e todos. Afinal, não é assim tão vulgar que, entre a degustação de um Martini e a sedução de uma bela mulher, um só homem consiga salvar o Mundo da destruição total. A receita era simples e totalmente eficaz: um agente secreto invencível, a tentar livrar o Mundo das “garras” do comunismo, em fitas recheadas de acção. A violência não é levada a mal, antes pelo contrário.

A Bond tudo se perdoa, porque as intenções são as melhores e o que o espectador quer mesmo é saber qual o estratagema que vai usar para se safar... mais uma vez. No fim, tudo está bem quando acaba bem.

Com a “morte” do arqui-inimigo – o comunismo –, foi necessário encontrar novos rivais para o herói. Sem problemas, porque algures no Mundo existe sempre um “mau” que quer dominar o planeta.

ELEGÂNCIA E IRONIA

Ao longo de 19 películas – a 20.ª, “Die Another Day”, tem estreia prevista para Novembro –, Bond conseguiu persistir porque a personagem se sobrepõe ao actor que a encarna. Apenas um, George Lazemby, não aqueceu o lugar. Óbvio modelo de comparação para os que se lhe seguiram, Sean Connery teve de regressar ao papel após o fracasso de Lazemby, de forma a dar tempo aos produtores Harry Saltzman e Albert R. Broccoli de arranjarem um substituto à altura, Roger Moore.

Após dez anos na pele do agente, Moore troca com Timothy Dalton, um actor da Royal Shakespeare Company que não foi além de dois filmes. A este sucedeu um irlandês conhecido da série televisiva “Remington Steele” que, dizem, devolveu a Bond a elegância e a ironia dos velhos tempos: Pierce Brosnan, que já vai na quarta aventura.

Três faces do mesmo herói

SEAN CONNERY

Primeiro Bond, fez seis filmes da série:
“Agente Secreto 007” (1962), “007 Ordem Para Matar” (63), “007 Contra Goldfinger” (64), “007 Operação Relâmpago”(65), “Só Se Vive Duas Vezes” (67) e “Os Diamantes são Eternos” (71).

ROGER MOORE

Agarrou o papel e rodou “007 Vive e Deixa Morrer” (73), “007 e o Homem da Pistola Dourada” (74), “007 Agente Irresistível” (77),“007 Aventura no Espaço” (79), “007 Missão Ultra-Secreta” (81), “007 Operação Tentáculo” (83) e “007 Alvo em Movimento” (85).

TIMOTHY DALTON

“007 Risco Imediato” (87) e “007 Licença Para Matar” (89).
George Lazemby foi o único actor a viver apenas uma aventura na pele do agente: “007 ao Serviço de Sua Majestade”, Realizado em 1969 por Peter Hunt.

As canções são eternas

Apesar de só recentemente a banda sonora se ter transformado num elemento indispensável na promoção da saga 007, a verdade é que os filmes de Bond sempre tiveram o seu tema musical. Ao longo de décadas, vários foram os artistas que deram voz ao “tema do filme”, um domínio em que, curiosamente, as senhoras levam clara vantagem.

À frente na lista está Shirley Bassey, que cantou em ''007 contra Goldfinger'', ''Os Diamantes São Eternos'' e ''007 Aventura no Espaço''. Ainda no capítulo feminino, destaque para Nancy Sinatra (''Só se Vive Duas Vezes''), Tina Turner (''007 Goldeneye'') e Sheryl Crow (''007, O Amanhã Nunca Morre''). A estas há ainda que somar Shirley Manson (Garbage, em ''007, O Mundo Não Chega'') e Madonna, no novo ''Die Another Day''.

No campo masculino, e descontando John Barry, que assina algumas das composições primárias, realce para Tom Jones (''007 Operação Relâmpago''), e Paul McCartney (''007 Vive e Deixa Morrer'').

Um espião irresistível

Indispensável em cada aventura de 007 é a “Bond Girl”, com quem acaba invariavelmente por se envolver amorosamente.
A mãe de todas as ''Bond Girls'' foi Ursula Andress, que em 1962 causou furor ao surgir num reduzido biquini ao lado de Sean Connery, em “Agente Secreto 007”. Estava dado o mote e daí para a frente nunca mais faltou uma “girl” a Bond.

As que mais se distinguiram no papel foram Jane Seymour (''007 Vive e Deixa Morrer''), Izabella Scorupco (''007 Goldeneye''), Lois Chiles (''007 Aventura no Espaço''), Britt Ekland (“007 e o Homem da Pistola Dourada”), Maud Adams (''007 Operação Tentáculo''), e Denise Richards (''007 o Mundo Não Chega''). A próxima é a oscarizada Halle Berry.
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