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Correio da Manhã

Cultura
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Peregrinos portugueses celebram "Mamã Muxima" com "povo irmão" de Angola 

Grupo de peregrinos portugueses chegou no segundo e último dia da popular festa religiosa de Angola.
Lusa 1 de Setembro de 2019 às 14:55
Peregrinos portugueses celebram 'Mamã Muxima' com 'povo irmão' de Angola 
Peregrinos portugueses celebram 'Mamã Muxima' com 'povo irmão' de Angola 
Peregrinos portugueses celebram 'Mamã Muxima' com 'povo irmão' de Angola 
Peregrinos portugueses celebram 'Mamã Muxima' com 'povo irmão' de Angola 
Peregrinos portugueses celebram 'Mamã Muxima' com 'povo irmão' de Angola 
Peregrinos portugueses celebram 'Mamã Muxima' com 'povo irmão' de Angola 
"Mamã Muxima", a maior peregrinação mariana da África subsaariana, recebeu este ano a visita de um grupo de portugueses que vieram celebrar a fé católica com o "povo irmão", em Angola.

O grupo de 26 peregrinos oriundos de Portugal chegou no segundo e último dia da popular festa religiosa de Angola, que se assinala anualmente e congrega milhares de fiéis na pequena vila de Muxima, no município de Quissama, província de Luanda.

Vieram de norte e sul do país, integrados num grupo organizado pelos missionários da Boa Nova de Cucujães, e que passou antes pelas missões de Sumbe, Gabela e Porto Amboim, em Angola.

"É um ano missionário em Portugal e resolvemos vir ao encontro da missão, disse à Lusa, Vítor Coelho de 68 anos, minutos antes da eucaristia das 08h00 que encerra este domingo as festividades de Mamã Muxima, nome por que é popularmente conhecida Nossa Senhora da Conceição nesta comemoração.

Para Vitor Coelho, esta é uma "Nossa Senhora à maneira africana" com cânticos e uma "alegria de viver" características de um povo "alegre e bem-disposto" que "faz sentir o coração palpitar".

"O povo angolano e o povo português são irmãos, há algo de comum entre nós este espírito de paz, de alegria, de boa disposição, de solidariedade. Acho que é isso que nos une", comentou o peregrino.

Ao seu lado está Augusta Estima de 63 anos, de regresso a Angola, onde fez voluntariado missionário, para "conhecer Muxima e agradecer as bênçãos recebidas".

Mais habituada a fazer peregrinações à "Fátima de Portugal" compara a devoção à Muxima de Angola.

"É Maria", resume, descrevendo um conjunto de emoções" que a fazem sentir "parte do povo angolano".

Augusta Estima recorda que, deixou Angola, há treze anos, precisamente na altura em que as pessoas estavam a preparar-se para a Muxima.

"Eu também quis vir fazer a experiência da Muxima", destaca a peregrina portuguesa que veio integrada na única delegação estrangeira que se juntou este ano à festa angolana.

As comemorações mobilizaram cerca de 800 polícias e quase 300 técnicos de saúde para apoiar os peregrinos, mas mesmo assim não conseguiram evitar a morte de três pessoas: duas foram vítimas de atropelamento mortal, ainda na sexta-feira, e uma jovem de 27 anos morreu no sábado de doença, indicou fonte policial.

Uma outra pessoa esteve prestes a afogar-se no rio Cuanza, junto ao qual se realiza a "Mamã Muxima", apesar dos avisos que alertam para os riscos e que os próprios padres fizeram ecoar no recinto antes das celebrações religiosas.

Segundo uma publicação do Secretariado de Liturgia de Viana, a fundação das ermidas dedicadas à Virgem Maria nas margens do rio Cuanza, entre as quais a da Senhora da Muxima deveu-se ao português Paulo Dias de Novais que aqui chegou com alguns padres jesuítas em 1560.

"De então para cá, nunca a devoção à Muxima deixou de ser praticada nem momento de guerra e de confusão generalizada", salienta o documento.

A publicação realça que os peregrinos nunca interromperam o culto "apesar das imensas dificuldades com a travessia do Cuanza e a infinita picada de difícil acesso ao santuário", coroado por uma antiga fortaleza fundada pelos portugueses, agora transformada em local de culto.

Organizada pela diocese de Viana, a peregrinação deste ano realizou-se sob o lema: "Com Maria, celebremos a fé em Jesus Cristo".
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