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Correio da Manhã

Cultura
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A ARTE DE SER ALENTEJANO EM TERRA ALHEIA

Terminou em apoteose, ontem, o espectáculo de apresentação, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), do último disco da Ronda dos Quatro Caminhos, 'Terra de Abrigo'.
25 de Janeiro de 2004 às 00:00
A Ronda viajou pelo País
A Ronda viajou pelo País FOTO: Pedro Catarino
Outra coisa não era de esperar, pois, já com 20 anos de existência e sem grande exposição em salas como o CCB, ao juntar um leque de convidados de reconhecido gabarito, o grupo esgotou o concerto (único) de ontem à noite e teve de agendar uma 'matinée' extra.
Não só a Ronda envolveu mais de cem cantores e músicos (um coro formado por seis corais masculinos alentejanos, curiosamente com cinco mulheres), músicos solistas - Miguel Angel Cortés (guitarra), Inna (violino), Pedro Caldeira Cabral (viola campaniça) e Eldevina Materula (oboé) - três cantoras (Esperanza Fernandez, Amina Alaoui e Katia Guerreiro) e o grupo Saias Raianas, além da Sinfonietta de Lisboa, sob a batuta de Vasco Pierce de Azevedo) como trabalhou a ideia, tão bem agarrada como envolvente, de acompanhar o canto-chão com uma orquestra clássica.
Aos cantores e músicos, juntaram vozes e sons específicos que deram vida a um concerto em que se cruzou a 'ruralidade' cosmopolita com alguma sofisticação sonora. A 'muralha' de cantores que normalmente se apresentam 'a capella' serviu de poderoso respaldo aos solistas que traduziram em som a nostalgia dos campos alentejanos e a tradição secular do canto do antigo Al Andaluz.
A bela voz, cheia e quente, do solista João Oliveira, a da fabulosa Kátia Guerreiro e as da cantora espanhola e da diva magrebina, levaram-nos pelos caminhos de Portugal. Tudo pela mão de um grupo de música de raiz tradicional que se tem dedicado de alma e coração à recuperação e divulgação do património de transmissão oral.
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