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Correio da Manhã

Cultura
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Animação em Lisboa quer atrair mais de 17 mil

O que têm em comum o boneco de neve que sonha ver o Verão sem derreter ou a avó ambiciosa que quer tricotar uma camisola para a lua, mas esquece-se de calcular o quarto minguante e o quarto crescente? São duas das produções que marcam presença no próximo Festival de Animação de Lisboa, a Monstra, que chega a 2011 à sua 10.ª edição.
24 de Fevereiro de 2011 às 13:39
Filme a 3D 'Frei Benoît e o Órgão', do suíço Michel Dufourd, consta da programação da Monstra
Filme a 3D 'Frei Benoît e o Órgão', do suíço Michel Dufourd, consta da programação da Monstra FOTO: d.r.

O primeiro é ‘A Cenoura da Praia’, filme estónio com plasticina de Partell Tall, e o segundo ‘Noites de Tricô’, do alemão Gil Alkabetz, e estão indicados para crianças em idade pré-escolar, dos três aos seis anos.

O Monstra arranca no próximo mês, de 21 a 27 de Março, e estende a sua programação pelo Cinema São Jorge, Museu Nacional de Etnologia, Fundação Calouste Gulbenkian, Escola Secundária D. Dinis, Museu da Marioneta, Teatro Meridional e FNAC. O objectivo da organização é superar os 17 mil espectadores da edição de 2010.

“O festival consolida-se ao nível do público de ano para ano e o que queremos é ultrapassar as fronteiras do ecrã. Somos os embaixadores do cinema de animação português”, disse esta quinta-feira, em conferência de imprensa, o director artístico da Monstra, Fernando Galrito.

Além da competição de longas-metragens, que conta com a presença de sete países, o festival vai também mostrar a produção holandesa, país que tem uma indústria instalada, tendo inclusivamente ganho dois Óscares com a animação. No certame vão passar obras de Michael Dudok de Wit, Gerit Van Dirk ou Paul Driessen.

Mais: a Monstra abordará a animação japonesa, exibirá 85 curtas-metragens de estudantes de 35 países, 60 ‘curtíssimas’ (filmes até dois minutos de duração) e retrospectivas de grandes clássicos de animação, aproveitando, por exemplo, os 70 anos do ‘Dumbo’ e os 52 anos de ‘A Bela Adormecida’, ambos da Disney.

TUTELA “UM POUCO DE OLHOS FECHADOS”

Fernando Galrito elogiou a parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, a EGEAC e outras entidades – como o Museu da Marioneta que tem, a partir desta quinta-feira, duas exposições sobre bastidores de produções animadas –, mas deixou ainda uma crítica a outras entidades: “O Ministério da Cultura e o Instituto do Cinema e Audiovisual têm estado um pouco de olhos fechados para este festival.”

Entre outros projectos da organização do festival, está ainda a produção de uma curta-metragem de dez minutos sobre o Centenário da República (que vai passar no Cinema São Jorge) e a distribuição gratuita de 35 mil DVD com obras animadas para as escolas nacionais, no arranque do próximo ano lectivo.

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