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Cultura
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APEL pede que Governo levante proibição de venda de livros em livrarias e fala em “discriminação” de “um bem essencial”

Em carta aberta a Siza Vieira e Graça Fonseca, a associação critica medida "incoerente", já que as escolas se mantêm abertas.
Correio da Manhã 15 de Janeiro de 2021 às 19:24
Livraria Lello
Livraria Lello FOTO: Nuno Fernandes Veiga
Perante a decisão do Governo de fechar as livrarias, no âmbito das novas medidas decretadas para o novo confinamento, que se iniciou esta sexta-feira em Portugal, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) enviou uma carta aberta ao ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e à ministra da Cultura, Graça Fonseca, em que critica a decisão, considerando-a discriminatória e acusando o Estado de retirar "ao livro o estatuto de bem essencial".

"Ao livro sempre foi reconhecido o estatuto de bem essencial, por qualquer país que preze e estimule o acesso à cultura e ao conhecimento. É o instrumento crítico para a aprendizagem e para o saber em todas as idades. Infelizmente, em Portugal, voltamos a assistir à perda desse estatuto, manifestada na reiterada proibição de abertura das livrarias e do comércio do livro noutros retalhos não especializados", lê-se no documento a que o CM teve acesso.

A APEL manifesta "preocupação perante a discriminação" deste setor e diz que a proibição de vender livros dentro destes estabelecimentos é "incoerente", uma vez que as escolas se mantêm abertas e a medida deixa "mais de um milhão e meio de alunos e respetivas famílias, a par de mais de 100 mil professores", com acesso limitado às leituras recomendadas.

O Governo esclareceu esta sexta-feira que as livrarias podem vender livros, para além dos canais online, através do postigo dos estabelecimentos, mas a APEL recorda que o setor livreiro está "bastante fragilizado" e com perdas avultadas, com as livrarias a registarem quebras de 70% nas vendas durante o primeiro confinamento e o mercado a contrair-se em 17%, ao passo que noutros países da Europa cresceu o consumo de livros durante a primeira vaga da pandemia.

"Fechando desta forma todos os canais de retalho de venda do livro, os editores não terão capacidade para sustentar toda a rede de profissionais que vivem do livro", sublinha a associação, considerando que a decisão tomada pelo Governo é um "rude golpe", pedindo que a proibição de venda de livros dentro das livrarias - modelo que corresponde a 90% do total de aquisições de livros em Portugal -  seja imediatamente revista.
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