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Correio da Manhã

Cultura
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Caixa Alfama: Quando o fado sai à rua

Dias 15 e 16 de Setembro mais de 40 fadistas voltam a celebrar a canção de Lisboa... no bairro do costume
Miguel Azevedo 12 de Setembro de 2017 às 20:44
Alfama é linda e o fado embeleza-a ainda mais. Durante os próximos dias 15 e 16 de Setembro, não há rua ou ruela, não há beco ou largo, canto ou recanto, escada ou escadaria, não há porta nem janela onde não se faça ouvir o fado. Por ali, até as igrejas se transformam em palcos.

Se na primeira edição houve algum receio por parte de moradores e comerciantes em relação ao evento que se propunha a ocupar o espaço público, a verdade é que hoje o Caixa Alfama já faz parte da cartilha do bairro. Com seis mil moradores, Alfama vê quase duplicar as suas ‘gentes’, com todos os ‘forasteiros’ a serem tratados como se fossem da casa. Também o impacto na economia do bairro é um aspeto positivo, com tudo o que são tascas e restaurantes a registarem lotações esgotadas.

Inspirado no Festival Mexefest, em que um preço único de bilhete permite assistir a vários concertos em várias salas, o Caixa Alfama é o evento mais barrista a decorrer no país. A única dificuldade é mesmo escolher o que ver e ouvir, porque fado é a banda sonora de Alfama. "Quando o fado era cantado/ pelas tabernas de Alfama/ Ninguém diria que o fado/ viria a ter tanta fama", pode ler-se num azulejo antigo pintado à mão numa das ruas típicas do bairro.

Em cada canto, uma voz e uma guitarra

Uma vez por ano, antigas e novas gerações do fado, homens e mulheres, guitarristas e violistas, fados novos e fados tradicionais, encontram-se no mesmo espaço, sob o mesmo denominador comum: a canção de Lisboa.

Este ano, o maior palco do evento (Palco Caixa), o único que é montado para o efeito, neste caso junto à zona ribeirinha, recebe, no dia 15, como principais cabeças de cartaz, António Zambujo, Marina Mota, José Gonçalez & Sangre Ibérico (dia 15) e no dia 16 Gisela João, Marco Rodrigues (ver entrevista nas páginas seguintes) e ‘Os Mestres’, projeto idealizado por Diogo Clemente que faz brilhar os nomes de António Rocha, Artur Batalha, Cidália Moreira, Filipe Duarte, Maria Amélia Proença, Maria Armanda, Maria da Nazaré e Nuno Aguiar.

Da agenda dos concertos, destaque para o espetáculo imperdível ‘Os Fados da Minha Mãe’, temas cuja figura central é a mãe, com temas como ‘O xaile de minha mãe’, ‘Duas mães’ ou ‘Minha mãe é Pobrezinha’, que serão interpretados pelos jovens fadistas Rosita, Pedro Ferreira, Nádia Bastos e Kiko. Dos dois dias de festa, destaque também para as igrejas de São Miguel e de Sto. Estêvão, que uma vez mais abrem portas ao fado. E já agora não esquecer as guitarradas à janela e ver ao vivo os grandes executantes da guitarra portuguesa, como José Manuel Neto


AGENDA

Dia 15 Setembro
António Zambujo, Marina Mota, José Gonçalez & Sangre Ibérico, Teresinha Landeiro, Matilde Cid, Luís Guerreiro, Pedro de Castro, Filipa Cardoso, Carolina, Diogo Clemente, Miguel Ramos, Jaime Dias e Ana Marta, Diogo Rocha e Sandra Correia, António Pinto Basto, Teresa Tapadas, Rosita, Nádia Bastos, Kiko, Pedro Ferreira, Jorge Silva, Miguel Monteiro, José Manuel Rodrigues, Conceição Ribeiro, Augusto Ramos, Hélder Moutinho, Pedro Moutinho

Dia 16 de Setembro
Marco Rodrigues, Gisela João, Nathalie, Tânia Oleiro, José Manuel Neto, Paulo Soares, Ana Sofia Varela, Buba Espinho, Paulo Bragança, Edu Miranda Trio, Júlio Resende "Fado Ensemble", Vítor Miranda e Henriqueta Batista, Pedro Galveias e Vera Monteiro, Gonçalo Salgueiro, Maria Ana Bobone, Luís Caeiro, Rui Vaz, Jorge Silva, Miguel Monteiro, José Manuel Rodrigues, Miguel Xavier, Joana Almeida, Alexandra, Rodrigo Costa Félix, Bárbara Santos.
Caixa Alfama António Zambujo Filipa Cardoso Sangre Ibérico Marco Rodrigues música Paulo Bragança
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