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Correio da Manhã

Cultura

Campo de Concentração do Tarrafal é candidato a Património da UNESCO

Proposta de Cabo Verde para campo do terror do Estado Novo tem apoio de Portugal.
Duarte Faria 21 de Fevereiro de 2020 às 08:39
Candidatura do antigo Campo de Concentração do Tarrafal é a segunda de Cabo Verde, após proclamação da morna
Candidatura do antigo Campo de Concentração do Tarrafal é a segunda de Cabo Verde, após proclamação da morna FOTO: Tiago Sousa Dias
O antigo Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, vai ser candidato a Património da Humanidade. Os governos de Portugal e de Cabo Verde acertaram na quarta-feira à noite, em Lisboa, os detalhes da cooperação técnica portuguesa à candidatura junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, que vai avançar já em 2021.

No encontro estiveram presentes Graça Fonseca, ministra da Cultura de Portugal, e Abraão Vicente, ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde. "É com enorme satisfação que anuncio que Cabo Verde e Portugal acertaram esta sexta-feira, em Lisboa, os detalhes do quadro de cooperação técnica para a candidatura do ex-Campo de Concentração do Tarrafal a Património da Humanidade", declarou o governante cabo-verdiano. O acordo será formalizado a 1 de maio, no Tarrafal, ilha de Santiago, e o dossiê técnico da candidatura será entregue à UNESCO no próximo ano.

Esta é a segunda candidatura de Cabo Verde depois de, em dezembro, a morna, género musical típico do país, ter sido declarada Património Imaterial Cultural da Humanidade, num processo que contou com o apoio de Portugal.

SAIBA MAIS
1936 é o ano em que foi construído o campo criado pelo Estado Novo. Situado em Chão Bom, recebeu os primeiros 152 presos políticos a 29 de outubro, tendo funcionado até 1956.

Mais de 500 presos
Reabriu em 1962 para encarcerar os anticolonialistas de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde. Após a desativação, funcionou como centro militar e desde 2000 que alberga o Museu da Resistência. Foram presas neste "campo da morte lenta" mais de 500 pessoas: 340 antifascistas e 230 anticolonialistas.
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