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Correio da Manhã

Cultura
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Circo sem Natal pode levar à morte do setor

Trinta e cinco empresas circenses e mais de 200 profissionais estão atualmente parados em todo o País.
Miguel Azevedo 29 de Novembro de 2020 às 09:40
Circo
Circo FOTO: Reuters
Por causa da pandemia e das regras do estado de emergência (circulação e horários), este deverá ser um Natal sem circo. O setor até tem um plano de contingência aprovado, mas quer as autarquias (que cedem as licenças), quer as empresas (que devido às festas de Natal são a grande fatia de mercado) não estão a querer arriscar. Contas feitas, já são 35 e mais de 200 profissionais parados de norte a sul do País. O setor, que no verão já tinha vivido uma situação dramática (os poucos circos que funcionaram tiveram quebras de 80 por cento), corre o risco de não sobreviver.

“O panorama atual é gravíssimo e este Natal pode ser a machadada no setor”, diz Carlos Carvalho, presidente da Associação Portuguesa dos Empresários e Artistas de Circo que revela que muitos artistas estão já a exercer outras atividades. “Há homens a trabalhar na condução de veículos pesados e mulheres a trabalhar em limpezas, em hotéis.”

O setor reclama agora apoio urgente e tratamento igual, por exemplo, ao do Circo Contemporâneo ou Artes de Rua, uma vez que nem sequer pôde concorrer aos apoios da Direção-Geral das Artes. “Recebemos um email a dizer que não éramos elegíveis por sermos circo tradicional. Ora isto é xenofobia cultural e artística”, diz Carlos Carvalho. “As empresas de circo continuam a pagar Segurança Social, IUC das viaturas, manutenção do material e a alimentar os animais. Já pedimos uma verba ao Governo mas nunca fomos atendidos.”
País Carlos Carvalho artes cultura e entretenimento questões sociais sociedade (geral)
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