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Correio da Manhã

Cultura

Como uma história de amor ajuda a salvar um elefante

Conhecido pela acção pesada de filmes como ‘Eu Sou a Lenda’ ou ‘Constantine’, o realizador Francis Lawrence decidiu inverter as coordenadas da sua carreira e deixar-se levar ao sabor de um romance de tonalidades clássicas. O resultado é ‘Águas aos Elefantes’, adaptação de um romance de Sara Gruen, a oscilar entre o drama em tempo de crise ou o conto de fadas exageradamente sensível.
5 de Maio de 2011 às 02:41
História de amor cresce quando é preciso treinar o gigante paquiderme do circo
História de amor cresce quando é preciso treinar o gigante paquiderme do circo FOTO: d.r.
O trunfo desta produção de época assenta na vontade em explorar o universo lendário de um circo, os bastidores do mundo da fantasia, para utilizar o entretenimento forçado deste universo e criar uma história de amor que - pois claro! - tinha de ser proibida.

O outro valor mediático de ‘Águas aos Elefantes' é Robert Pattinson, o actor da saga ‘Crepúsculo' que parece empenhado em mostrar que é um intérprete de composição e menos pálido do que a figura que o tornou ídolo de adolescentes.

Nesta história ele é Jacob Jannkowski, que nos anos da Grande Depressão e, depois de uma tragédia familiar, decide mandar às urtigas o seu modo de vida e trilhar caminho no comboio dos Benzini Brothers.

É certo que Pattinson quer ser levado a sério, mas a sua personagem - tal como todas as outras - não tem espessura. É apenas o motor de uma história de folhetim, que culmina com uma história de amor com a estrela da companhia - a mais platinada do que nunca Marlena (Reese Whiterspoon), responsável por um número com cavalos.

Quando um gigante elefante, de nome ‘Rosie', é apresentado pelo dono do circo (um deliciosamente cínico Christophe Waltz) - que por acaso é o violento companheiro de Marlena -, como a próxima grande atracção, o destino do par protagonista vai alterar-se, até porque ensinar um paquiderme é tudo menos fácil...

Estão lançadas as coordenadas para um drama que se quer colorido e emotivo, mas que por vezes roça o mero nível telenovelesco. Há vontade em ser simples e mostrar a simplicidade dos sentimentos, mas Francis Lawrence nunca consegue elevar a narrativa por aí além. Resta-lhe uma boa caracterização dos bastidores da realidade circense e um ritmo que é pouco dado à monotonia.

De resto, ‘Águas aos Elefantes' pouco impressiona, mesmo que a gigantesca ‘Rosie' se converta na personagem secundária que apetece seguir e conhecer-lhe o destino. E no segundo paquiderme mais adorável da História do Cinema, logo depois de ‘Dumbo'.

Se Reese Whiterspoon é competente, Pattinson deambula entre o galã de boas intenções e o ingénuo, tão ingénuo que nunca poderia ser uma personagem real. Cabe, por isso, a Waltz ‘roubar' o filme, ainda que recorra à mesma estratégia que lhe deu um Óscar em ‘Sacanas Sem Lei'. No final o que fica? Uma ida ao circo, com os altos e baixos das histórias de amor proibidas. Mas nem por isso compensa totalmente o preço do bilhete.
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