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Correio da Manhã

Cultura
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Conspiração junta Papa e Sá Carneiro

A nova temporada literária promete novidades e polémicas. Nem a propósito, chega hoje ao mercado a obra que tem tudo para ser a maior de todas. Luís Miguel Rocha era um completo desconhecido até ao dia em que, por ocasião da última Feira do Livro de Frankfurt, se tornou o homem do momento. O livro em causa estava ainda por concluir e já era disputado em várias línguas: ‘O Último Papa’ (ed. Saída de Emergência).
28 de Setembro de 2006 às 00:00
Conspiração junta Papa e Sá Carneiro
Conspiração junta Papa e Sá Carneiro FOTO: Sérgio Lemos
Hoje, aniversário da morte de João Paulo I, o Papa do livro, ei-lo nas livrarias de Portugal, Espanha e Itália, com uma tiragem nacional de 15 mil exemplares. Amanhã é dia de apresentação oficial, no Convento do Carmo, Lisboa, por Francisco José Viegas.
O livro em causa é mais um na senda dos sucessores de Dan Brown, mas tem uma particularidade e uma surpresa: por um lado assenta sobre um facto real e contemporâneo, por outro relaciona a morte de João Paulo I com a de Sá Carneiro.
“Só posso dizer-lhe que quem mandou matar um e outro são a mesma pessoa, mas contar mais é comprometer a trama”, avançou o escritor ao CM.
Enigmático, quase lacónico, Luís Miguel Rocha recorda como tudo começou, com uma fonte do Vaticano a fazer chegar-lhe às mãos documentos com a condição de estes só serem publicados mais tarde. Eram os papéis encontrados nas mãos de Albino Luciani, o Papa João Paulo I, conhecido por Papa Sorriso (ver caixa).
LISTA DE SUSPEITOS
“São 13 páginas, essencialmente, de mudanças que pretendia fazer, objectivos no Papado absolutamente revolucionários e ainda uma lista de membros da loja maçónica P2 (duas páginas) além do terceiro Segredo de Fátima, o que agora parece um bocado desajustado, mas é o que lá está”, revelou
João Paulo I teve um pontificado de apenas um mês (de 26 de Agosto a 28 de Setembro de 1978). Encontrado morto na reclusão do seu quarto, a versão oficial oscila entre duas causas (enfarte do miocárdio e embolia pulmunar), mas o facto de o Vaticano não autorizar a autopsia do “corpo santo de um Papa” só alimenta a polémica onde ganha pontos a teoria do envenenamento...
Especulações à parte, a verdade é que a sua morte permanece um mistério por explicar e a hipótese de assassinato mantém-se. Nem excluída nem comprovada. Luís Miguel Rocha ficciona, com a sua versão de ‘O Último Papa’, uma realidade possível.
RETRATO DO PAPA SORRISO
Albino Luciani (1912-1978), João Paulo I ou Papa Sorriso, teve a mais rápida eleição e o mais breve pontificado: 33 dias.... Patriarca de Veneza, governou a Santa Sé entre 26 de Agosto e 28 de Setembro, data da sua misteriosa morte. Foi o primeiro papa desde Clemente V a recusar uma coroação formal e o primeiro a adoptar um nome papal duplo.
O cognome de Papa Sorriso ficou-lhe da bondade da sua natureza. Repudiava o dogma, a ostentação, a formalidade e o poder tanto quanto defendia uma revisão das posições extremadas da Igreja, nomeadamente, sobre o aborto ou a contracepção.
PERFIL
Luís Miguel Rocha nasceu há 30 anos no Porto, cresceu em Viana do Castelo e há apenas cinco anos regressou à Invicta mas partiu pouco depois para Londres. Actualmente, divide--se pelas três cidades: a que lhe foi berço (Porto), a de acolhimento (Viana do Castelo) e a de adopção (Londres). Profissionalmente, trabalha como guionista e ‘O Último Papa’ (Saída de Emergência) é o seu segundo livro. Antes deste houve ‘Um País Encantado’ (Plátano), livro que passa revista ao Portugal do Estado Novo e às suas semelhanças com o actual. O próximo está a caminho e 2008 é a data de chegada.
O MESMO TEMA
‘Pontífice’ de Max Morgan-Witts e Gordon Thomas Ed. Doubleday Books, 1983
‘A Batina Vermelha’ de Roger Peyrefitte Ed. Du Mercure de France, 1983
‘A Verdadeira Morte de João Paulo I’ de Jean-Jacques Thierry Ed. J.C. Godefroy, 1984
‘Em Nome de Deus’ de David Yallop Ed. Poetic Publishing, 1984
‘Um Ladrão na Noite’ de John Cornwell Ed. Viking, 1989
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