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Correio da Manhã

Cultura
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Cultura parada enfrenta maior crise de sempre

Restrições aos fins de semana obrigam setor que já vivia com enormes dificuldades a suspender novamente a atividade.
Duarte Faria 16 de Novembro de 2020 às 08:29
Protestos no setor da cultura têm invadido as ruas de Lisboa e do Porto nos últimos meses
Protestos no setor da cultura têm invadido as ruas de Lisboa e do Porto nos últimos meses FOTO: Lusa
As manifestações do setor da cultura multiplicam-se e, para o próximo sábado, dia 21, já está marcado um novo protesto, promovido pela Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE). A ‘Manifestação pela Cultura’ realiza-se no Campo Pequeno, Lisboa, pelas 10h30.

Sandra Faria, da APEFE, explica que a manifestação irá decorrer “dentro do Campo Pequeno, como se de um espetáculo se tratasse”. Ou seja, “cumprindo as regras impostas”, e com a capacidade do recinto limitada a duas mil pessoas. Além de associações e movimentos, vão marcar presença artistas de diversas áreas.

A situação da cultura agravou-se ainda mais nos últimos dias dado o recolher obrigatório decretado pelo Governo para parte da população, o que levou ao cancelamento de espetáculos e fecho de salas. Para a APEFE, esta decisão “é uma grande machadada no setor”, que “já está a viver uma tragédia em 2020” e “vê essa tragédia agravada com estas restrições dos fins de semana”.

A Plateia - Associação de Profissionais das Artes Cénicas lamenta o facto de “o anúncio das medidas restritivas não ter sido acompanhado por um anúncio de medidas de apoio aos trabalhadores e às atividades mais afetadas”. Já o Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, Audiovisual e Músicos considera a limitação de circulação ao fim de semana “mais um prego no caixão” da cultura, que já está “numa situação dramática”.

DEPOIMENTOS
Paulo Sousa Costa, produtor de teatro
"Temos recorrido à Banca para sobreviver"
"O pior ainda está para vir. Temos recorrido à Banca para conseguir sobreviver, mas vamos ter de pagar e continuamos sem nenhum apoio. Concorremos a todos os concursos lançados até agora e nada."

Filipe La Féria, encenador
"A nossa única hipótese é o fecho temporário"
"Espetáculos com a dimensão dos do [Teatro] Politeama só podem ser viáveis com a presença do público ou apoio do Estado. Sem a concretização destes imprescindíveis fatores, a única hipótese é o fecho temporário."

Álvaro Covões, promotor de espetáculos
"Muitos de nós estão a passar sérias dificuldades"
"Somos os únicos que não podem fazer ‘takeaway’ ou ‘delivery’, mas pelos vistos ninguém quer saber de nós. Muitos de nós estão a passar sérias dificuldades, mas todos juntos vamos superar esta adversidade."
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