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Correio da Manhã

Cultura
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Diretor do Teatro D. Maria II considera "ridículo" o apoio à cultura em Portugal

Em causa está "um serviço público consagrado na Constituição e no qual não há investimento público", diz Tiago Rodrigues.
Lusa 18 de Setembro de 2020 às 07:40
Teatro Nacional Dona Maria II
Teatro Nacional Dona Maria II FOTO: João Miguel Rodrigues
O diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues, considerou esta quinta-feira que o financiamento à cultura em Portugal é "da ordem do ridículo" e defendeu que é altura de o Governo "finalmente apoiar qualquer coisa" no setor.

Em Guimarães, à margem de um ensaio da peça "Catarina e a beleza de matar fascistas", Tiago Rodrigues sublinhou que, mais do que um apoio, em causa está "um serviço público consagrado na Constituição e no qual não há investimento público".

"Não precisávamos da pandemia para ser óbvio que em Portugal é preciso apoiar mais a cultura. Ou melhor, que é preciso finalmente apoiar qualquer coisa, na cultura. A pandemia veio apenas levantar o véu, revelar alguns problemas ", referiu.

Para Tiago Rodrigues, os números dos apoios à cultura em Portugal, quando comparados com qualquer outro país europeu, "são da ordem do ridículo".

"Não se trata de um apoio, trata-se de garantir um serviço público que está consagrado na Constituição e no qual não há investimento público. Seria como praticamente não haver hospitais ou como praticamente não haver escolas. É da ordem do escândalo e é ridículo", sublinhou.

Tiago Rodrigues, Prémio Pessoa 2019, disse que a forma como o público está a regressar ao teatro e como, mesmo em confinamento, "mostrou uma avidez" por estar nas salas em contacto com os artistas, "é um alerta para os senhores decisores políticos de que o eleitorado considera a cultura fundamental para a sua qualidade de vida e para a saúde democrática".

"Mas nós estamos na pré-história disso. Podia ser um alerta eventualmente na Alemanha e na França, para que as coisas melhorem um bocadinho e se dê um bocadinho de mais atenção. Em Portugal, é um alerta para que se dê finalmente alguma atenção a um setor que tem sido muito, muito negligenciado", acrescentou.

Para Tiago Rodrigues, a "visibilidade" que o setor da cultura tem na comunicação social "acaba por mascarar" o que é a precariedade do setor.

"Temos muita visibilidade pública, mas isso não se traduziu ainda numa alteração fundamental da forma como o Estado defende o direito constitucional de acesso à cultura e à produção artística".

A peça "Catarina e a beleza de matar fascistas" estreia-se no sábado no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães.

No domingo, a peça volta a subir ao palco no mesmo local.

Ambas as sessões têm já lotação esgotada.

Segue depois para palcos da Suíça, França e Itália, em digressão, após o que regressa a Portugal, designadamente ao Porto, em fevereiro.

Só em abril de 2021 é que será apresentada em Lisboa.

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