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Correio da Manhã

Cultura
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Exéquias de Hugo Ribeiro realizam-se na basílica da Estrela

Cerimónias começam na segunda-feira à tarde.
3 de Dezembro de 2016 às 22:50
Hugo ribeiro gravou Marceneiro, Carlos Paredes, Fernando Lopes Graça e muitos outros nomes da música portuguesa
Hugo ribeiro gravou Marceneiro, Carlos Paredes, Fernando Lopes Graça e muitos outros nomes da música portuguesa FOTO: armoniz.org
O velório do técnico de som Hugo Ribeiro, falecido este sábado em Lisboa, aos 91 anos, realiza-se na segunda-feira, a partir das 17h00, na basílica da Estrela, na capital, disse à Lusa fonte próxima da família.

Hugo Ribeiro nasceu em Vila Real de Santo António, em agosto de 1925, e em meados de 1940 começou a trabalhar para a firma de discos Valentim de Carvalho.

"No Chiado, em Lisboa, a partir de 1951, gravou 'a voz de Amália', que há de dizer, mais tarde, que nunca ninguém soube registá-la tão bem. Dirá o mesmo Carlos Paredes acerca do som da sua guitarra nos discos gravados por Hugo Ribeiro nos anos 1960 e 1970", referiu à Lusa David Ferreira, editor discográfico, que com ele trabalhou e de quem foi amigo.

Hugo Ribeiro viveu um "tempo em que grandes artistas torciam o nariz à ideia de gravar. Obrigou-se a dar-lhes o som verdadeiro", referiu David Ferreira, contando que "em 1961, esperou que Alfredo Marceneiro acabasse a sua ronda pelas casas de fado para conseguir finalmente registar um LP do fadista que já tinha mais de 70 anos. E, mesmo assim, ou ele ou o [editor] Rui Valentim de Carvalho ainda tiveram de se lembrar dum expediente para Marceneiro, que ao chegar ao estúdio queria cancelar o projeto, gravar sem o 'ambiente' das casas de fado: vendaram-lhe os olhos".

Ao longo de mais de quatro décadas, Hugo Ribeiro gravou "quase todos os grandes do seu tempo", Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Carlos Paredes, Max, Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo, Carlos Ramos, Fernando Farinha, António dos Santos, Celeste Rodrigues, Fernanda Maria, João Ferreira-Rosa, Maria da Fé, Teresa Silva Carvalho, Vicente da Câmara, Tristão da Silva, Alberto Ribeiro, Milu, João Villaret, Trio Odemira, Eugénia Lima, Júlia Barroso, Maria Clara, Maria de Lourdes Resende, Maria de Fátima Bravo, Rui de Mascarenhas, António Calvário, o Conjunto Académico João Paulo, Luiz Goes, Simone de Oliveira, Tony de Matos, Duo Ouro Negro, Thilo's Combo, José Afonso, os Sheiks, Marco Paulo, Carlos do Carmo, Frei Hermano, José Cid, Paco Bandeira, António Mourão, Beatriz da Conceição, Jorge Palma, Rão Kyao, Opus Ensemble, Tantra, UHF, GNR, Trovante, Carlos Paião, ou Vitorino.

Quando foram inaugurados os estúdios da Valentim de Carvalho, em 1963, em Porto Salvo, "então no meio do campo", nos arredores de Paço de Arcos, no concelho de Oeiras, a cerca de 18 quilómetros de Lisboa, o técnico de som passou a ter "outras condições de trabalho e o estúdio atraiu intérpretes estrangeiros de nomeada como Cliff Richard, Joan Manuel Serrat ou Julio Iglesias".

"Aí Hugo Ribeiro gravaria muitos dos discos mais importantes da sua distinta carreira, até à primeira metade dos anos 1990: as últimas gravações de estúdio de Carlos Paredes foram também as últimas que fez. E aos estúdios continuou a deslocar-se até ao fim da sua vida, ajudando com a sua sabedoria os mais novos, identificando melhor velhas gravações, fascinando meio mundo com a sua memória prodigiosa e o colorido das suas narrativas", recordou David Ferreira.

Sobre Hugo Ribeiro é um "herói da gravação sonora e [foi] colaborador da Valentim de Carvalho desde há mais de seis décadas", assinalou David Ferreira.
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