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Correio da Manhã

Cultura

Fadista Zé Perdigão sente-se mais um cabo-verdiano em terras da 'morabeza'

"Não é um disco em que Amália canta para nós, somos nós que cantamos para Amália", diz Zé Perdigão sobre 'Amália Everywhere'.
Tiago Sousa Dias 2 de Dezembro de 2021 às 18:48
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Fadista Zé Perdigão sente-se mais um cabo-verdiano em terras da 'morabeza'

O fadista Zé Perdigão vive atualmente na Cidade da Praia, e é em Cabo Verde que se sente bem. Tem um grande apreço pelo povo e pelo país. "Costumo dizer que é um povo que não tem nada, e do nada faz tudo.", conta Zé Perdigão, que se sente bastante satisfeito principalmente em termos musicais, porque em Cabo Verde encontra a essência de tudo o que precisa. "Vivo de T-shirt, calções e havaianas e em 5 minutos estou em qualquer sitio. Não tenho este stress de Lisboa. Cabo Verde dá-me esta paz. Este 'no stress', que é o nosso lema. E é sempre uma 'morabeza' o facto de os cabo-verdianos saberem receber muito bem, e eu sinto-me mais um cabo-verdiano a viver em Cabo Verde."

Foi em Alfama, bairro típico de Lisboa que o fadista falou ao CM. Esta é a sua primeira viagem a Portugal desde o início da pandemia. A sua presença na Womex, realizada na cidade do Porto foi também decisiva para a sua deslocação. "Nunca estive parado em termos de trabalho. Tive o repto de um grande produtor canadense, Herman Alves, para celebrar os 100 anos da natalidade de Amália Rodrigues. Foi-me proposto participar num disco que se chama 'Amália Everywhere', gravado com 10 vozes da diáspora portuguesa, em 10 países e em 6 continentes", refere Zé Perdigão. Cada cantor no seu país gravou com os músicos que escolheu, mas a coordenação foi feita em Cabo Verde, com a produção de khaly Angel. As novas tecnologias facilitaram o trabalho a nível global. Um ano e meio foi a duração do trabalho que saiu a 10 de Junho deste ano, a partir de Montreal, Canadá. "Não é um disco em que Amália canta para nós, e que devolvemos a Amália. São composições e letras inéditas. Somos nós que cantamos para Amália", informa o fadista, que participa com o tema 'Amália, voz magoada da saudade', com composição de Khaly, e letra de José d'Almansor (Padre José Maria Cardoso). 

O próximo álbum está quase pronto, com o titulo 'Abraços'. Um disco muito eclético, com rock, pop, gospel, fado, e música tradicional. Uma nova vertente de Zé Perdigão, com outros lados musicais que o seu público não está habituado a ouvir.

Um dos temas é uma homenagem à seleção portuguesa de futebol. "Um grande rock, que espero que seja o hino para o mundial de 2022, e espero bem que esse titulo venha para Portugal. Se a nossa canção puder ajudar...melhor", diz o cantor. No disco há temas de homenagem a pais que perderam os filhos, ou a idosos que passam sozinhos o natal. Esperança e fé é a mensagem que Zé Perdigão quer transmitir no seu álbum, a sair em meados do próximo ano.

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