Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura

Falta de vigilantes obriga museus nacionais em Lisboa a encerrar à hora de almoço

Museus pretendem garantir a segurança em tempos de pandemia.
Lusa 13 de Agosto de 2020 às 18:37
Museu Nacional de Arte Antiga
Museu Nacional de Arte Antiga FOTO: Direitos Reservados
A falta de vigilantes devido ao período das férias do verão levou a que alguns museus nacionais de Lisboa encerrassem salas à hora do almoço para garantir a segurança dos acervos, indicaram hoje fontes da direção das instituições.

Contactada pela agência Lusa, a diretora do Museu Nacional dos Coches, em Belém, Silvana Bessone, disse que decidiu fechar à hora do almoço, entre as 13:00 e as 14:30, e depois às 17:00, em vez das anteriores 18:00 do encerramento habitual, devido à falta de vigilantes.

"O período de férias é complicado, e além disso há funcionários que ainda ficam em casa porque são de risco neste quadro da pandemia", explicou a responsável, referindo que, a seguir à reabertura dos museus, a 18 de maio, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), que tutela os museus nacionais, "deu instruções para que os diretores regulassem os seus horários consoante as suas necessidades".

Com sete vigilantes a menos do que o habitual, o Museu dos Coches vai manter este horário até 31 de agosto, uma situação que a diretora não vê com alarme porque o número de visitantes "diminuiu muito com a pandemia, mas está a melhorar, gradualmente".

"Aqui neste museu entravam cerca de mil visitantes por dia. Esta manhã recebi 150, portugueses e estrangeiros, sobretudo famílias", relatou.

Também o diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), Joaquim Caetano, decidiu encerrar salas entre as 12:00 e as 15:00 pelo mesmo motivo, mas mantém o horário entre as 10:00 e as 18:00.

"Quando entram, os visitantes são avisados das salas encerradas e podem regressar mais tarde para as verem, se assim o entenderem", explicou, em declarações à Lusa.

Dos 24 vigilantes que o museu tem disponíveis habitualmente estão 16 a trabalhar, e o museu encerrou as salas da capela, do mobiliário e de artes decorativas no período de almoço.

Entretanto, o diretor pediu ao Centro de Emprego um reforço de seis vigilantes e está a aguardar resposta.

Quanto à afluência de visitantes em tempo de pandemia, também verifica uma gradual recuperação, para os 400 por dia: "Não é o que tínhamos antes do surgimento do vírus, mas já é razoável", avaliou Joaquim Caetano.

Por seu turno, a diretora do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, Emília Ferreira, face ao mesmo problema, optou por encerrar uma hora no período de almoço ao fim de semana, entre as 14:00 e as 15:00.

"Num cenário ideal precisaríamos de 20 vigilantes e agora temos nove", resumiu.

Mesmo assim, "não é tão dramático, porque há salas neste momento sem exposições. Mas quando inaugurarem as novas, em setembro, vai agravar-se", disse à Lusa.

Ao todo, o Museu de Arte Contemporânea dispõe de 15 vigilantes e atualmente estão três de férias e três de baixa.

Sobre a segurança das peças, Emília Ferreira disse que "está sempre assegurada, com um esforço de organização interna".

Já o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, em Évora, está a encerrar por falta de pessoal no segundo fim de semana dos meses de verão, disse hoje o diretor, justificando ser essa "a única opção" que lhe restava.

"Conto com três assistentes técnicos, um deles de baixa médica e que vai ser prolongada", pelo que estão a trabalhar "duas únicas funcionárias" responsáveis por bilheteira, portaria, informações e vigilância, entre outras tarefas, explicou o diretor do museu, António Alegria.

Com o quadro do museu para esta categoria, o qual "nunca esteve completo", a prever "aí umas 12 pessoas", os atuais auxiliares têm de fazer um trabalho polivalente, "mas não é de polivalência" que a instituição precisa, "é mesmo de pessoas", frisou o responsável.

"Se tenho duas pessoas e uma está de férias, fico com uma. Como é que eu posso fazer? Abro a porta, ponho a pessoa na bilhética e quem é que tenho para fazer vigilância, para dar indicações", questionou.

Contactada pela Lusa sobre a situação destes museus, fonte do gabinete de imprensa da DGPC confirmou que foi dada "uma autorização para a flexibilidade de horários de abertura e encerramento ao público de todos os museus, monumentos e palácios, até ao próximo dia 31 de agosto de 2020".

Esta medida "permite aos diretores ajustarem os horários em função dos recursos humanos disponíveis, dos seus públicos e das suas especificidades geográficas ou outras".

"Foi decretada na sequência da reabertura dos museus e monumentos após o covid-19, tendo em conta as condições excecionais de funcionamento definidas por razões sanitárias", justificou ainda a DGPC.

Mais informação sobre a pandemia no site dedicado ao coronavírus - Mapa da situação em Portugal e no Mundo. - Saiba como colocar e retirar máscara e luvas - Aprenda a fazer a sua máscara em casa - Cuidados a ter quando recebe uma encomenda em casa. - Dúvidas sobre coronavírus respondidas por um médico Em caso de ter sintomas, ligue 808 24 24 24
Lisboa museus coronavírus
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)