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Correio da Manhã

Cultura
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García Márquez a preto e branco

Eu apenas queria contar um bom conto”, palavras de García Márquez ao receber o Prémio Nobel de Literatura de 1982, as mesmas que servem de legenda à última fotografia da exposição biográfica que o Instituto Cervantes lhe dedica até ao dia 28 de Fevereiro.
31 de Janeiro de 2005 às 00:00
A exposição é composta por cerca de 70 fotografias
A exposição é composta por cerca de 70 fotografias FOTO: Jorge Paula
Lisboa é a quarta cidade europeia a receber ‘Gabo – uma fotobiografia de Gabriel García Marquez’, exposição que passa em imagens a vida e a obra de quem já fez outro tanto em palavras ao escrever ‘Viver para Contá-la’, biografia apresentada como livro de memórias, assim o quis o autor de ‘Crónica de uma Morte Anunciada’, o livro que o acompanhava no ano do Nobel.
Colombiano de berço e mexicano de coração, Gabriel García Márquez nasceu numa família numerosa e modesta, protagonista do primeiro núcleo dos quatro que servem a mostra, a saber, as personalidades mais marcantes da sua carreira, os primeiros tempos do jornalista e do escritor e, finalmente, a celebridade ou os dias da consagração.
São cerca de 70 fotografias de quase tudo e de quase todos quantos fizeram de ‘Gabo’, diminutivo reservado aos íntimos, o García Márquez de toda a gente: de Ramón Vinyes, “o velho que tinha lido todos os livros”, a Álvaro Mutis, “autor de vinte ou trinta metros dos melhores versos que se conhecem no nosso país”, ou de Virginia Wolf e William Faulkner, a quem considerava os mestres literários, a Jorge Luis Borges, com quem mantinha relação ambígua, a avaliar pela legenda: “Borges é um dos autores que mais leio e tenho lido e talvez aquele de que menos gosto”.
Mas desengane-se quem pense que são mais os testemunhos públicos do que os privados. Por aqui, prevalece a família, qual cicerone, tão presente no início como no fim desta viagem a preto e branco pela cor dos dias de Gabriel García Márquez.
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