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Correio da Manhã

Cultura
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JOHN MAYALL: OS BLUES SÃO MOTIVAÇÃO

John Mayall regressa hoje a palcos nacionais, na Aula Magna de Lisboa. É o primeiro de três espectáculos do herói dos blues, que amanhã e depois toca em Coimbra e no Porto. Em entrevista ao CM, o músico admitiu ceder aos desejos dos fãs.
8 de Novembro de 2003 às 00:00
Correio da Manhã – Comecemos pelos concertos aqui em Portugal. O que vamos poder ouvir?
John Mayall – Bom, os nossos espectáculos costumam ser de hora e meia ou um pouco mais. Vamos tocar canções dos últimos discos, mas vão ter de esperar. Mas como já não vou há muito tempo a Portugal, não sei... tudo é possível. Mas vamos também tocar coisas mais antigas, é claro. Mas, um concerto é sempre diferente, nunca se sabe.
– O seu novo disco é um ‘Live’ de celebração do seu 70.º aniversário. Como foi voltar a tocar com antigos companheiros como Eric Clapton e Mick Taylor?
– Foi uma experiência muito interessante, tremenda, como uma celebração. Foi sobretudo muito espontâneo, tal como nos bons velhos tempos. Na véspera, por exemplo, nos ensaios, que duravam 30 a 40 minutos, havia pessoas que estavam a assistir e nos pediam insistentemente esta ou aquela canção. Foi tudo muito espontâneo. O espectáculo em si foi uma grande produção e estou muito satisfeito com o resultado. Além do disco vai haver também uma edição em DVD, a lançar perto do Natal.
– Nesta altura, quando se prepara para celebrar 70 anos, John Mayall continua na estrada e a ‘rockar’. Porquê? O que o faz correr ainda?
– A música, a música é sempre a motivação. Não sinto qualquer diferença. É como há 30 anos ou mais. A música, os blues, são a minha forma de expressão, a motivação.
– E pretende continuar até quando?
– (risos) É o que toda a gente deseja, continuar a ‘rockar’. E esta é a minha vida. Até quando? Não sei!
– Espectáculos à parte. Quando será possível um novo disco de originais?
– Não sei bem. Temos agora este e andamos na estrada, por isso, não sei bem. Talvez daqui a ano e meio voltemos a estúdio. Mas tudo depende.
PERFIL
John Mayall é, sobretudo, conhecido como “o professor”. A sua carreira começa em meados dos anos 60, com os Bluesbreakers, uma formação que serviu de escola a músicos tão importantes como Eric Clapton, Mick Taylor (passou ainda pelos Rolling Stones), Peter Green e Mick Fleetwood, que mais tarde dariam corpo aos Fleetwood Mac.
Curiosamente, Mayall despertou tarde para a música. O seu primeiro disco data de ‘64, numa altura em que já tinha 31 anos. A partir daí, no entanto, Mayall não mais parou, gravando discos atrás de discos, mas sempre com os blues por timoneiro, não obstante alguns trabalhos de cariz mais experimental, que não granjearam qualquer sucesso.
No entanto, ao longo da sua longa carreira, Mayall assinou registos de sucesso como “Blues From Laurel Canyon” (’68), “The Turning Point” (’69), ou “A Banquet in BLues” (76). Mas é ao vivo que Mayall melhor consegue exprimir-se, tal como o atesta a popularidade dos seus muitos registos do género.
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