Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
7

Luis Sepúlveda, o escritor que não resistiu após 48 dias internado na luta contra o coronavírus

Tinha 70 anos. Autor de obras tão notáveis como ‘O Velho Que Lia Romances de Amor’, ‘Patagónia Express’ e ‘Crónicas do Sul’.
Duarte Faria 17 de Abril de 2020 às 01:30
Escritor era presença assídua no Correntes d’Escritas e na  Feira do Livro de Lisboa
Luis Sepúlveda com a mulher, Carmen Yáñez, em fevereiro na Póvoa do Varzim
Escritor era presença assídua no Correntes d’Escritas e na  Feira do Livro de Lisboa
Luis Sepúlveda com a mulher, Carmen Yáñez, em fevereiro na Póvoa do Varzim
Escritor era presença assídua no Correntes d’Escritas e na  Feira do Livro de Lisboa
Luis Sepúlveda com a mulher, Carmen Yáñez, em fevereiro na Póvoa do Varzim
O escritor chileno Luis Sepúlveda, também cineasta e jornalista, morreu esta quinta-feira, aos 70 anos, vítima da Covid-19. O autor de obras tão notáveis como ‘O Velho Que Lia Romances de Amor’, ‘Patagónia Express’ e ‘Crónicas do Sul’ estava internado no hospital de Oviedo, na região das Astúrias, no norte de Espanha (onde vivia atualmente), desde 29 de fevereiro, altura em que foi diagnosticado com a doença.

Os primeiros sintomas apareceram depois de ter estado, na semana anterior, no festival literário Correntes d’Escritas, na Póvoa do Varzim, onde marcou presença várias vezes. De resto, Sepúlveda era presença assídua em Portugal, nomeadamente na Feira do Livro de Lisboa, onde, por convite da Porto Editora, era costume dar muitas sessões de autógrafos. "Sempre vi a literatura como um ponto de encontro entre o escritor e o leitor", disse em 2016 à agência Lusa.

Nasceu no Chile a 4 de outubro de 1949. Ativista político, integrou a guarda pessoal do presidente Salvador Allende, o que, com a instauração da ditadura, o levou à prisão e, depois, ao exílio. Homem do Mundo, viveu na Rússia, Suécia, Alemanha, Equador e Espanha, e trabalhou em diversos países da América do Sul. A sua obra conta com mais de 20 títulos, todos editados em Portugal. Foi traduzido em 60 línguas e venceu vários prémios literários. Era casado com a poetisa Carmen Yáñez, que também esteve hospitalizada e em isolamento.

DEPOIMENTOS
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República
"Era um amigo de Portugal"
"É com particular tristeza que recebemos a notícia da morte de Luis Sepúlveda. Pelo escritor que era, pelas circunstâncias que bem conhecemos, e porque era um amigo de Portugal. O seu desaparecimento é especialmente sentido pelos portugueses".

Lídia Jorge, escritora
"Cunho de criador incomum"
"É um contador maior. Os seus livros são joias preciosas, marcados pela terra sul-americana, pela língua espanhola que lhe deu a plasticidade vigorosa da narrativa, e pelo cunho de criador incomum, que lhe permite ser traduzido e amado em todas as línguas".

José Luís Peixoto, escritor
"As histórias eram incríveis"
"Recebo com choque a notícia do desaparecimento deste amigo. Passam-me pela cabeça quase vinte anos de encontros, as histórias partilhadas depois dos jantares na sua casa, em Gijón. As histórias dele eram sempre as mais incríveis".

Manuela Ribeiro, organização do Correntes d’Escritas
"É um dos meus imortais"
"O Luis Sepúlveda - Lucho para os amigos - foi e será sempre uma inspiração. Jamais esquecerei a sua generosidade. Na Literatura como na vida. É um dos meus imortais. Despedimo-nos, como sempre, com um abraço, nas últimas Correntes".

Pilar del Rio, Presidente da fundação José Saramago
"Grandíssimo escritor"
"Esteve com Allende, no exílio, regressou e foi acumulando pátrias. Escreveu recorrendo à sua terra, leu, viu, era culto, tinha mais de mil amigos, um riso desbordante, amor pela festa e era implacável a apontar armadilhas. Era um grandíssimo escritor".
Ver comentários