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Correio da Manhã

Cultura
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Marilena Nardi é a primeira mulher a vencer o World Press Cartoon

Cartoon vencedor da 13ª edição retrata um homem transformado numa tesoura falante e valeu a Nardi o prémio de dez mil euros.
Lusa 3 de Junho de 2018 às 18:47
World Press Cartoon 2018
World Press Cartoon 2018
World Press Cartoon 2018
World Press Cartoon 2018
World Press Cartoon 2018
World Press Cartoon 2018
World Press Cartoon 2018
World Press Cartoon 2018
World Press Cartoon 2018
A italiana Marilena Nardi, com o desenho "Liberdade de expressão", é a vencedora do Grande Prémio da 13.ª edição do World Press Cartoon (WPC), foi este sábado anunciado nas Caldas da Rainha, na cerimónia de entrega dos prémios.

O cartoon, que retrata um homem transformado em tesoura falante, foi publicado no jornal basco "Illegal Times", em dezembro de 2017, e valeu a Nardi o maior prémio do WPC, dez mil euros, fazendo dela a primeira mulher a ganhar o concurso, ao fim de 13 edições.

Ainda na categoria de Cartoon Editorial, o júri atribuiu o segundo prémio ao brasileiro Cau Gomez pela obra "Utopia", publicada na revista brasileira "Continente", e, o terceiro prémio, ao turco Hicabi Demirci, por um desenho sem título do autor, publicado pelo jornal "Pazar".

Na cerimónia, o diretor do salão, o cartoonista António Antunes, sublinhou que, pela primeira vez, a organização admitiu cartoons publicados na Internet, uma vez que, "devido à crise generalizada da imprensa escrita, esta é, muitas vezes, a única via disponível para a realização profissional dos cartoonistas de todo o mundo".

Na categoria da Caricatura, foram distinguidos o belga O-Seoker, autor de duas obras que retratam o presidente dos Estados Unidos da América, Donalt Trump, publicadas no site "Jyllands-Posten", o holandês Endyck, pelo desenho publicado no site "Fenamizah", e o indiano Thomas Antony, pelo cartoon do ex-presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, publicado no jornal indiano "Metro Vartha".

Na categoria de Desenho de Humor, o primeiro prémio foi atribuído ao sérvio Nedeljko Ubovic, por uma obra sem título publicada em "Vecernje Novosti", o segundo prémio foi para "Cemitério Paraíso" ("Super Notícia"), do brasileiro Silvano Mello, e o terceiro distinguiu "Zebra...Deixando a nossa marca na natureza", do norueguês Fadi Abou Hassan ("Cartoon Movement").

A vencedora, Marilena Nardi, nasceu em Chiampo, no Norte de Itália, em 1966, numa família de combatentes antifascistas e de resistentes à ocupação alemã, segundo a United Sketeches, associação internacional de cartoonistas para a liberdade de expressão.

Nardi é formada em Escultura, professora de desenho anatómico e de ilustração, na Academia de Belas Artes de Veneza, e venceu, entre outros prémios, o World Press Freedom Cartoon, em Otava, no Canadá, em 2013.

Colaboradora de jornais como Corriere della Sera, Diario, Borsa & Finanza, sobretudo no início da carreira, tem intensificado o trabalho com os satíricos The Misfatto, Il Ruvido, Fire, e com títulos como Barricate!, Il Fatto Quotidiano e L'Antitempo. É igualmente colaboradora das publicações 'online' Aspirina e Espoir.

As obras premiadas pelo 13.º World Press Cartoon, o mais prestigiado salão internacional de desenho de humor na imprensa, foram escolhidas pelo júri entre 281 caricaturas, cartoons editoriais e desenhos de humor selecionados, de 227 publicações de 54 países.

Ao prémio concorreram mais de 600.

Os 281 desenhos compõem uma exposição que está patente, entre este sábado e 28 de julho, no Centro Cultural e de Congressos de Caldas da Rainha.

Os desenhos expostos foram selecionados por um júri internacional de cartoonistas que integrou, além do diretor do salão, o português António Antunes, também Rayma Suprani (Venezuela), Michael Kountouris (Grécia), Robert Rousso (França) e Saad Hajo (Síria).

O World Press Cartoon realiza-se nas Caldas da Rainha, distrito de Leiria, desde 2017, ano em que a iniciativa foi relançada, depois de não acontecer em 2016, por falta de patrocínios.

O certame, que tinha lugar em Sintra desde 2005, mudou-se em 2014 para Cascais e sofreu, em 2015, uma redução no valor monetário dos prémios, que ascendem a um total de 25 mil euros, levando a que a organização considerasse não haver condições para a sua manutenção.
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