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Correio da Manhã

Cultura
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Mestre da música do Mundo, Waldemar Bastos, morre aos 66 anos

Artista angolano, que acreditava ter feito arte capaz de transformar, batalhava contra um cancro.
Duarte Faria 11 de Agosto de 2020 às 08:10
Waldemar Bastos
Waldemar Bastos FOTO: Natália Ferraz
"A minha música tem um bocado de tudo, porque tudo de bom das culturas eu absorvo; o que é belo, eu absorvo naturalmente. E o belo pode ter a capacidade de transformar para melhor”. As palavras são de Waldemar Bastos, quando questionado sobre a sua música, muitas vezes definida como um misto de afro-pop, fado, soul e influências brasileiras, e sobre a intervenção social que a mesma pode ter, e foram proferidas em 2013 em entrevista à agência Lusa. O músico angolano, que acreditou ter feito arte capaz de transformar, morreu esta segunda-feira em Lisboa, aos 66 anos, vítima de cancro.

Nascido em M’Banza Kongo, capital da província do Zaire, a 4 de janeiro de 1954, Waldemar Bastos, que passou muito tempo da sua vida em Portugal (e foi inclusive preso pela PIDE), estava em tratamentos oncológicos há cerca de um ano, informou o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente de Angola.

Em 2018, foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, a mais importante distinção do Estado angolano na área cultural. Isto depois de, em 1999, ter sido galardoado com o prémio de New Artist of the Year nos World Music Awards, que o confirmou como músico do Mundo. ‘Renascence’, ‘Pitanga Madura’, ‘Estamos Juntos’ e ‘Clássicos da Minha Arte’ (gravado com a Orquestra Sinfónica de Londres) são os seus discos mais populares. Foi o único não fadista a cantar na transladação, no Panteão Nacional, do corpo de Amália Rodrigues, de quem era amigo.


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