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Correio da Manhã

Cultura
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Ministério Público investiga antas destruídas no Alentejo

Plantação de amendoal intensivo arrasa dois monumentos pré-históricos no distrito de Évora.
Hugo Rainho 19 de Outubro de 2020 às 08:23
Anta da Herdade do Vale da Moura, em Évora
Espólio recolhido entre os vestígios da anta de Mora: uma lâmina de Silex
Cerâmica, lâmina e fragmento de placa de xisto
Anta da Herdade do Vale da Moura, em Évora
Espólio recolhido entre os vestígios da anta de Mora: uma lâmina de Silex
Cerâmica, lâmina e fragmento de placa de xisto
Anta da Herdade do Vale da Moura, em Évora
Espólio recolhido entre os vestígios da anta de Mora: uma lâmina de Silex
Cerâmica, lâmina e fragmento de placa de xisto
A notícia é cada vez mais recorrente no Alentejo, e parece que, mesmo com todos os alertas, os organismos públicos que defendem o património não conseguem evitar a sua destruição. Desta vez foi no concelho de Mora: uma das três antas (estruturas de pedra ligadas ao culto da morte com cerca de 5 mil anos) da freguesia de Cabeção foi destruída para plantação de um amendoal superintensivo, apurou o CM. O monumento estava referenciado no PDM ( Plano Diretor Municipal) da autarquia, mas nem isso evitou a destruição. A Direção-Geral do Património Cultural do Alentejo já fez queixa ao Ministério Público, que vai investigar.

Leonor Rocha, arqueóloga e docente da Universidade de Évora, esteve no local. "Ao que parece a anta foi enterrada. Conseguimos identificar os vestígios e até recuperar algum espólio, mas é necessário agora fazer uma escavação de emergência para minimizar o impacto negativo da destruição do monumento", disse ao CM.

O mesmo aconteceu em Évora, na freguesia da Torre de Coelheiros: as máquinas que preparam o terreno na Herdade do Vale da Moura para plantar amendoal foram implacáveis com mais um monumento histórico. Neste caso, a DGPC avisou o explorador do terreno das medidas de salvaguarda logo em abril e também esta anta estava referenciado no PDM. Próximo do local até está em marcha uma obra de aumento do perímetro de rega do Alqueva, que tem acompanhamento arqueológico, e as autoridades acreditam, por isso, que se tratou de uma destruição deliberada. Foi feita queixa-crime contra a empresa exploradora, que tem sede em Évora.
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