Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
7

Ministra determina manutenção no local dos achados arqueológicos da Sé de Lisboa

Vestígios da antiga mesquita almorávida devem ser mantidos no local, por determinação do Ministério da Cultura,
Lusa 14 de Outubro de 2020 às 10:33
Sé de Lisboa
Graça Freitas
Sé de Lisboa
Graça Freitas
Sé de Lisboa
Graça Freitas
Os vestígios da antiga mesquita almorávida, recentemente descobertos nas obras de requalificação e restauro do claustro da Sé de Lisboa, devem ser mantidos no local, por determinação do Ministério da Cultura, anunciou hoje o Governo.

"Face aos mais recentes achados arqueológicos, e tendo em conta o valor patrimonial das estruturas descobertas, o Ministério da Cultura decidiu, em diálogo com o Patriarcado de Lisboa", que estes "devem ser conservados, musealizados e integrados no projeto de recuperação e musealização da Sé Patriarcal de Lisboa", lê-se no comunicado do Ministério da Cultura.

"Assim sendo, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, deu orientações para que a proposta arquitetónica do núcleo museológico seja adaptada no sentido da sua salvaguarda e valorização 'in situ' dos vestígios encontrados", acrescenta o comunicado.

O projeto de "recuperação e valorização da Sé Patriarcal de Lisboa" deu origem à descoberta de vestígios da antiga mesquita almorávida, do século XII, permitindo perceber que ocupava todo o quarteirão, com banhos, escolas e a mesquita dos mortos, entre outras estruturas.

Entre estas encontra-se a base do minarete e o compartimento do vestiário, que investigadores e responsáveis científicos do trabalho arqueológico no local consideraram "únicos" nos contextos ibérico e marroquino.

A decisão da ministra, agora anunciada, surge depois de a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) ter decidido pedir um parecer da Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico (SPAA) do Conselho Nacional de Cultura, sobre a projetada exumação de parte dos vestígios islâmicos encontrados nas escavações, depois de conhecidas críticas, de diversas da comunidade científica, à projetada retirada dessas estruturas, que originaram também pedidos de esclarecimento ao Governo, do PCP e do BE.

A desmontagem esteve prevista, como a DGPC explicou em setembro, para garantir a estabilidade do edifício e a viabilização do projeto de recuperação dos claustros.

Numa resposta enviada à Lusa, em 25 de setembro, a propósito de alertas lançados pelo Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia (STARQ) e do lançamento de uma petição que pedia a manutenção dos vestígios no local, a DGPC afirmava que esta hipótese "não [era] compatível com a execução da obra em curso".

A manutenção das estruturas colocaria "em risco a estabilidade estrutural de parte substancial da ala sul do claustro da Sé Patriarcal (Monumento Nacional), pondo em causa a própria implementação do projeto reformulado e o investimento associado", disse então a DGPC.

Cinco dias depois, numa visita ao local, o diretor-geral do Património Cultural, Bernardo Alabaça, disse que acataria o parecer da secção especializada do Conselho Nacional de Cultura, sobre a retirada ou não desses achados.

Há uma semana, a DGPC anunciou ter pedido um "estudo de formas alternativas de garantir a estabilidade das estruturas a edificar", na Sé de Lisboa, e de "minimizar a afetação dos vestígios arqueológicos".

Na altura, procedeu a novas visitas ao local, com representantes do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios, da Comunidade Islâmica de Lisboa e da Associação dos Arqueólogos Portugueses.

No comunicado hoje divulgado, o Ministério da Cultura reconhece que "a intervenção de Recuperação e Valorização da Sé Patriarcal de Lisboa -- Instalação do Núcleo Arqueológico e Recuperação dos Claustros Inferior e Superior, pela sua complexidade e riqueza, tem sido um processo evolutivo no qual foram já realizadas alterações aos projetos de arquitetura e especialidades de engenharia, decorrentes de achados arqueológicos".

"O Ministério da Cultura continuará a trabalhar com diversas entidades técnicas, científicas e culturais no sentido de encontrar a solução mais adequada para a valorização deste importante património", conclui o comunicado.

Sé de Lisboa Ministério da Cultura Governo artes cultura e entretenimento
Ver comentários