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Correio da Manhã

Cultura
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Morreu a escritora Agustina Bessa-Luís

Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa foi um dos nomes maiores da literatura portuguesa contemporânea.
3 de Junho de 2019 às 11:29
Agustina Bessa-Luís
Agustina Bessa-Luís
Agustina Bessa-Luís
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Agustina Bessa-Luís
Agustina Bessa-Luís
Morreu a escritora Agustina Bessa-Luís, aos 96 anos. Natural de Amarante, onde nasceu a 15 de outubro de 1922, Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa - o seu nome verdadeiro - foi um dos nomes maiores da literatura portuguesa contemporânea.

Agustina Bessa-Luís nasceu em 15 de outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante, e encontrava-se afastada da vida pública, por razões de saúde, há cerca de duas décadas.

O nome de Agustina Bessa-Luís destacou-se em 1954, com a publicação do romance "A Sibila", que lhe valeu os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz, duas de muitas distinções que recebeu ao longo da vida.

Em 1983 recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, pela obra "Os Meninos de Ouro", um galardão que voltou a receber em 2001, com "O Princípio da Incerteza I - Joia de Família".

A escritora foi distinguida pela totalidade da sua obra com o Prémio Adelaide Ristori, do Centro Cultural Italiano de Roma, em 1975, e com o Prémio Eduardo Lourenço, em 2015.

Foi condecorada como Grande Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, de Portugal, em 1981, elevada a Grã-Cruz em 2006, e ao grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, de França, em 1989, tendo recebido a Medalha de Honra da Cidade do Porto, em 1988.

Questionada sobre o que escrevia, a autora disse, num encontro na Póvoa de Varzim: "É uma confissão espontânea que coloco no papel".

A cerimónia fúnebre da escritora Agustina Bessa-Luís decorrerá na terça-feira, na Sé Catedral do Porto, seguindo depois para o cemitério do Peso da Régua, Vila Real, revelou hoje o Círculo Literário Agustina Bessa-Luís.

Em comunicado, a direção explica que o corpo da escritora ficará em câmara ardente na Sé Catedral do Porto, a partir das 10h30 de terça-feira. Às 16h00 "serão celebradas exéquias solenes", presididas pelo bispo do Porto.

"Finda a cerimónia religiosa, o corpo seguirá para o Cemitério do Peso da Régua, onde será sepultado na intimidade da família", refere o Círculo Literário Agustina Bessa-Luís.

O Governo decretou para terça-feira um dia de luto nacional pela morte da escritora.

A biografia da autora de A Sibila
Em 1991 era Agustina diretora do Teatro Nacional Dona Maria II e Santana Lopes secretário de Estado da Cultura quando, numa visita oficial à China, a escritora recusou percorrer a Grande Muralha, conforme  o  previsto  no programa. Isabel Rio Novo, a autora de ‘O Poço e a Estrada - biografia  de  Agustina  Bessa-Luís’ (ed. Contraponto), conta que antes preferiu as lojas de sedas a calcorrear o  grande colosso.

Muitos dos que com ela privaram então ou em situações semelhantes, recordaram à biógrafa "o impulso de pessoa que amava os luxos".  "Agustina abandonava colóquios e ocasiões oficiais para entrar nas lojas de marca e escolher roupas, malas e sapatos, requisitando-os  amiúde  como acompanhantes nessas incursões cirúrgicas  e organizadas", escreve Rio Novo. 

Maria  do  Rosário Pedreira, por exemplo, lembra-se de certa ocasião em Genève, na Suíça, ter acompanhado Agustina (e também Lídia Jorge) a várias lojas de alta-costura e de a autora de ‘A Sibila’ retirar da malinha os catálogos das marcas com as peças que lhe interessavam previamente assinaladas. Ou doutra vez ainda, em Aix-en-Provence, França, em que Agustina trocou as livrarias - com a escusa de ter livros de sobra - para se dedicar à caça de umas luvas verde-esmeralda, até ao cotovelo, que acabou por comprar.

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