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Correio da Manhã

Cultura
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Morreu a ex-vereadora da Cultura de Guimarães Francisca Abreu

De 1994 a 1998 foi deputada à Assembleia Municipal de Guimarães e em 1998 tomou posse como vereadora da Câmara Municipal.
Lusa 27 de Agosto de 2020 às 13:28
Francisca Abreu
Francisca Abreu FOTO: Hugo Delgado
A ex-vereadora da Cultura da Câmara de Guimarães Francisca Abreu morreu na quarta-feira, aos 66 anos, informou a autarquia, que atribuiu à "visão cosmopolita, arrojada e integradora" daquela responsável o "sucesso" da Capital Europeia da Cultura (CEC), em 2012.

Francisca Abreu nasceu um Vilarinho, Santo Tirso, e vai a enterrar na sexta-feira, em Guimarães, concelho no qual teve um papel político ativo "desde cedo" e foi reconhecida em 2019 com a Medalha de Mérito Cultural Municipal de ouro, tendo a autarquia decretado dois dias de luto municipal pela sua morte.

Em entrevista à Lusa, em janeiro de 2020, Francisca Abreu, vereadora naquele município do distrito de Braga entre 1988 e 2013, confessou que o ano em que Guimarães foi CEC foi "um dos melhores e mais cheios" da sua vida e que se sentia "feliz por ter feito parte de um tamanho acontecimento" para Guimarães.

Em comunicado, a autarquia lembra Francisca Abreu como "responsável pela candidatura de Guimarães" a CEC, assinalando que a ex-vereadora foi membro do Conselho de Administração da Fundação Cidade de Guimarães, instituição criada para criação, gestão e realização do programa cultural de Guimarães 2012.

"O sucesso de Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 constituiu exemplo para toda a Europa de como uma cidade média, a partir do envolvimento de toda a população, podia realizar um evento de amplitude europeia, ficando em muito a dever-se à visão cosmopolita, arrojada e integradora, da então Vereadora Francisca Abreu", salienta a autarquia, presidida por Domingos Bragança.

No texto, é referido que "a herança e marca" que Francisca Abreu deixou nos seus mandatos, "quer no domínio da educação e da cultura, com o caráter interventivo com que sempre, desde a juventude, pautou a sua forma de ser cidadã e a sua permanente disponibilidade e dedicação à Comunidade foi reconhecida pelos vimaranenses".

A ex-vereadora foi também presidente (entre 1988 e 2013) da direção d'A Oficina, uma cooperativa municipal, que, numa nota de pesar, assumiu que "muito ficou a dever" a Francisca Abreu.

"Francisca Abreu foi figura central na condução de Guimarães à posição de referência que hoje detém no domínio da cultura à escala nacional e europeia. Foi com Francisca Abreu que Guimarães veio reforçando esse percurso de várias décadas. O culminar desse trabalho foi a atribuição a Guimarães do título de CEC, em 2012. Esse trabalho continua nos dias de hoje", refere a atual direção da oficina.

Em janeiro, à Lusa, a ex-vereadora assumiu que a realização da CEC foi "um sonho tornado realidade" e um acontecimento que a marcou.

"Foi um dos melhores anos da minha vida, um ano cheio de trabalho mas também da realização de sonhos, que não eram só meus, um trabalho coletivo que mostrou o que esta cidade e as suas gentes eram capazes e que veio dar ainda mais brilho à exemplar recuperação do Centro Histórico, trazendo-lhe uma nova vida que perdurou, felizmente, no tempo", disse.

Francisca Abreu frequentou o ensino secundário no Liceu Nacional de Guimarães, tendo sido interna do Colégio do Sagrado Coração de Maria, onde integrou o grupo juvenil que aí desenvolveu uma marcante intervenção cultural.

Frequentou a Universidade de Coimbra, na década de 1970, onde foi ativista estudantil, tendo-se licenciado em Filologia Germânica. Foi professora e dirigente em diversos estabelecimentos de ensino até ser colocada na Escola Secundária Martins Sarmento, em 1982/1983, vindo ali a ser eleita presidente do conselho executivo durante 10 anos, de 1987 a 1998.

De 1994 a 1998 foi deputada à Assembleia Municipal de Guimarães e em 1998 tomou posse como vereadora da Câmara Municipal.

"É como vereadora da cultura e presidente d'A Oficina que desenvolve um abrangente e intenso programa de criação e instalação de equipamentos e de produção artística que afirmou Guimarães, no início do século XXI, como polo central da cultura de todo o noroeste peninsular e era membro do Conselho Consultivo da organização internacional "Cities for Europe", aponta a autarquia.

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