Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
4

Morreu a segunda das ‘três Marias’ aos 81 anos

Maria Velho da Costa denunciou a censura do Estado Novo e exaltou a condição feminina.
Duarte Faria 25 de Maio de 2020 às 08:30
Maria Velho da Costa
Maria Velho da Costa FOTO: Direitos Reservados
"Portugal perde uma grande escritora. Foi um choque muito grande, não estava à espera". Foi desta forma que Maria Teresa Horta, a única das ‘três Marias’ ainda viva, reagiu à morte de Maria Velho da Costa, sábado, aos 81 anos - a escritora esteva fisicamente debilitada mas partiu de forma súbita.

"Vamos ter uma ligação para sempre", refere ainda Maria Teresa Horta, lembrando a "grande aventura literária" que foi a publicação de ‘Novas Cartas Portuguesas’, em 1972, que escreveu em coautoria com Maria Isabel Barreno (morreu em setembro de 2016) e Maria Velho da Costa.

"A obra ficou na história" ao denunciar a repressão e a censura do regime do Estado Novo, exaltando a condição feminina e a liberdade de valores para as mulheres, e valeu às três autoras um processo judicial, suspenso após o 25 de Abril. A partir daí ficaram conhecidas como as ‘três Marias’. A aventura criou "laços fortes", mesmo que nos últimos anos tenham tido pouco contacto.

Nascida a 26 de junho de 1938, em Lisboa, Maria Velho da Costa começou a vida literária nos anos 60, tendo publicado quase duas dezenas de livros. Foi presidente da Associação Portuguesa de Escritores e escreveu argumentos cinematográficos. O seu percurso foi feito de vários prémios, o mais significativo dos quais o Prémio Camões 2002.

Para o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, deixa uma "obra invulgar e memorável". Já o primeiro-ministro António Costa considera que a autora "nos deixa uma obra inovadora, que merece todos os leitores que venha a encontrar".
Maria Velho da Costa Maria Teresa Horta Portugal artes cultura e entretenimento literatura Três Marias
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)