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Correio da Manhã

Cultura
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Morreu Vasco Pulido Valente, o padrinho da 'Gerigonça'

Historiador tinha 78 anos e morreu esta sexta-feira num hospital em Lisboa. Era conhecido pelo seu estilo cáustico e mordaz.
Sónia Dias 22 de Fevereiro de 2020 às 11:26
Vasco Pulido Valente
Com Marcelo Rebelo de Sousa, em 2004. Presidente da República considerou-o “uma das figuras mais marcantes do espaço público português em democracia”
Vasco Pulido Valente com Paulo Portas durante a apresentação do seu último livro, ‘O Fundo da Gaveta’, em Lisboa, em junho de 2018
Vasco Pulido Valente
Vasco Pulido Valente
Com Marcelo Rebelo de Sousa, em 2004. Presidente da República considerou-o “uma das figuras mais marcantes do espaço público português em democracia”
Vasco Pulido Valente com Paulo Portas durante a apresentação do seu último livro, ‘O Fundo da Gaveta’, em Lisboa, em junho de 2018
Vasco Pulido Valente
Vasco Pulido Valente
Com Marcelo Rebelo de Sousa, em 2004. Presidente da República considerou-o “uma das figuras mais marcantes do espaço público português em democracia”
Vasco Pulido Valente com Paulo Portas durante a apresentação do seu último livro, ‘O Fundo da Gaveta’, em Lisboa, em junho de 2018
Vasco Pulido Valente
Historiador, escritor, ensaísta e comentador político, Vasco Pulido Valente morreu esta sexta-feira num hospital de Lisboa, onde estava internado. Tinha 78 anos e era conhecido pelo seu estilo cáustico e mordaz e por criticar tanto os adversários como quem partilhava as cores políticas.

É a Vasco Pulido Valente que se atribui a autoria do nome pelo qual ficou conhecida a solução governativa da última legislatura, depois de, a 31 de agosto de 2014, publicar a crónica ‘A Geringonça’. O termo viria a ser utilizado, no Parlamento, por Paulo Portas e acabou por designar o acordo parlamentar composto por PS, BE e PCP.

Durante anos, Pulido Valente mostrou-se crítico de grande parte dos decisores públicos e cético de várias das medidas implementadas em Portugal. Lutou contra o salazarismo ainda durante a faculdade e fugiu da guerra do Ultramar através de cunha (por ser neto do professor Pulido Valente).
Apesar de nunca ter sido "bom aluno", começou a chamar a atenção na sua escrita quando defendeu escritores que no pós-25 de Abril eram associados ao fascismo, como Vergílio Ferreira ou Agustina Bessa-Luís. Colaborou com o ‘Público’, ‘Expresso’ e ‘DN’.

Trabalhou ainda como comentador da TSF, Rádio Comercial e TVI. "Não sou muito dado a emoções. Sou mais dado a angústias e ansiedades. Sou daquelas pessoas que verifica três vezes se fechou a porta e a torneira antes de sair de casa", disse em entrevista.

Adotou apelido do avô porque o seu era "feio"
Vasco Correia Guedes nasceu em Lisboa, em 1941, e licenciou-se em Filosofia, doutorando-se mais tarde em Oxford. Cedo adotou o nome de família do avô, um dos mais conceituados intelectuais da época. Surgia assim uma das siglas mais temidas da imprensa portuguesa: VPV.

"O meu nome civil tem uma cacofonia e duas sibilantes: Vasco Correia Guedes. É feio!", disse em entrevista Vasco Pulido Valente, que se considerava um "historiador político". 

Cerimónias fúnebres em Alcabideche
O velório de Vasco Pulido Valente realiza-se amanhã, domingo, a partir das 19h00, no Centro Funerário de Cascais, em Alcabideche. Na segunda-feira, pelas 14h00, terá início a cremação, no mesmo local.
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