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Correio da Manhã

Cultura
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Nova lei deixa setor do cinema em guerra

António-Pedro Vasconcelos diz que é preciso “multiplicar fontes de financiamento” do cinema.
Sónia Dias 15 de Outubro de 2020 às 09:25
Realizadores e produtores nacionais continuam divididos acerca da nova lei audiovisual
Realizadores e produtores nacionais continuam divididos acerca da nova lei audiovisual FOTO: iStockphoto
A transposição da diretiva europeia sobre o audiovisual vai permitir “multiplicar as fontes de financiamento e diversificar as sedes de decisão”, afirmou esta quarta-feira o realizador António-Pedro Vasconcelos, na comissão parlamentar de Cultura e Comunicação, referindo-se ao facto de grande parte do setor estar dependente dos apoios do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA). Uma situação que, para o argumentista Tiago R. Santos, é “redutora”. “O ICA não apoia comédias, nem filmes de terror, nem de ficção científica e apoia muito pouco cinema familiar. Há, portanto, uma quantidade enorme de géneros que não são desenvolvidos e de histórias que ficam por contar”, disse.

Por seu turno, a Plataforma do Cinema recordou que as empresas de streaming já estão presentes no mercado e a negociar com intervenientes portugueses. “Pensar que a Netflix ou a HBO vão levar as nossas produções a um patamar internacional é uma ilusão”, alertou o realizador Luís Urbano.

A plataforma defende ainda que, além das obrigações de investimento, os operadores também deviam pagar uma taxa ao ICA”, o único que garante uma “política cultural pública”, mas que pode perder capacidade de investimento com a aprovação desta legislação.

Recorde-se Portugal tem de transpor para a legislação nacional uma diretiva europeia, de 2018, que tem como objetivo regulamentar a atividade de plataformas como Netflix, HBO e Amazon, entre outras.
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